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sexta-feira, 16 de março de 2012

Raridades e Recordações ( 73 )

É de facto uma selva...

quarta-feira, 14 de março de 2012

Sou um aborígene australiano





SOU um aborígene australiano. Meu nome é Warwirra. No meu país, para diferençá-los dos imigrantes de primeira geração, a quem chamamos de “novos australianos”, usamos o termo “dinkum aussie” para os cidadãos nascidos no país. Sou um “dinkum aussie”.
Minha aparência é quase igual à de outros aborígenes, pois, embora sejamos muitas tribos, todavia temos uma só origem. A forma de nossa cabeça é mais alongada do que o usual, com testa que recua e a fronte saliente. Nosso cabelo é crespo, nosso nariz é achatado e nossa boca é grande, com dentes alvos. Nossa constituição é de tamanho médio, mas nossos membros são compridos e finos. Nossa cor de pele é marrom escura. As pessoas afirmam que os mais parecidos conosco são os membros da tribo selvagem dos vedas, do Ceilão, e as tribos das colinas da Índia.
Moro numa humilde casa de tijolos, mas meus pais não viviam desse jeito. Nesta, como em outras coisas, mudamos. Por conseguinte, sentimos freqüentes saudades do que chamamos de “sair andando por aí”. Quando surge o impulso, então deixamos nossas casas e ‘vamos para o mato’, para ali viver da terra, como fizeram nossos pais.
A razão deste impulso é que, na mente de todo aborígene, há o que chamamos de nosso “tempo de sonhos”, significando nossa história tribal e antigo modo de vida. Nostálgica saudade dos dias de nosso “tempo de sonhos” parece já ter nascido conosco. Antes de o Capitão Cook desembarcar na Baía Botany, gozamos um modo de vida tão diferente do atual — uma vida dura, mas livre. Por arranjo mútuo, minha tribo e outras detinham territórios que eram universalmente respeitados. Havia fronteiras, mas não eram manchadas por cercas e portões. Dentro de cada território tribal havia lugares “sagrados” que eram, para nós, como Paris é para os franceses ou Londres para os ingleses.
Nem todos os nossos “sonhos” são felizes. Neles há memórias de terrível selvageria. Depois de os europeus se estabelecerem no país, ignoraram nossos direitos territoriais e passaram a exterminar-nos. Gradualmente, fomos degradados à condição de escravos em nossa própria terra. Até mesmo tão recentemente quanto 1942, ao passo que, ironicamente, a Austrália estava em guerra com Hitler por causa da questão do genocídio, um parlamentar da Austrália Ocidental advogava: “Será um dia feliz para a Austrália Ocidental e para a Austrália em geral quando desaparecerem os nativos e os cangurus. . . . Ao tratar deste assunto, deve-se abolir todo sentimentalismo. Chegou o tempo de acção drástica e positiva.”
Para ter “sonhos” mais felizes, temos de retornar aos dias antes de chegarem os europeus. Amávamos nossa terra e cuidávamos dela com carinho, mas tínhamos nosso próprio modo de fazê-lo. Não cercávamos, por exemplo, o gado ou os cangurus. Não tínhamos tratores nem arado. Nossos modos eram mais adaptados às nossas necessidades.

Rico Conhecimento da Natureza

Percorríamos nosso território, recolhendo o que crescera sozinho e, no caso de algumas tribos, espalhando-se ao fazê-lo. Nossa mente estava sempre projetada em nossa próxima visita à área. Era de nosso próprio interesse preservar o que pudesse servir-nos na próxima visita. Sangrávamos as árvores que dão água, mas cuidadosamente as tapávamos depois; cavávamos poços d’água, e, daí, os cobríamos de areia para impedir a evaporação; matávamos para comer, mas jamais um animal com seus filhotes, pescávamos a arraia, mas em tempos de cruzamento passávamo-la por alto.
Assim, por tais métodos peculiares ao nosso modo de vida; cuidávamos de nossa terra. Na verdade, não tínhamos grandes colheitas, como se faz hoje, mas aquilo que buscávamos era altamente nutritivo e de suprimento constante e fresco.
O êxito de nossos métodos dependia de considerável conhecimento e perícia. A sobrevivência repousava em acumularmos em nossos “sonhos” rico conhecimento sobre a natureza. Veja aqui o que este livro (The Australian Aborigine, de A. P. Elkin) tem a dizer sobre isto: “A natureza é, para o aborígene, um sistema em que as espécies e fenômenos naturais se acham relacionados ou associados no espaço e no tempo. O aparecimento de um objeto, por exemplo  . . . uma ave, ou uma flor ou um inseto, veio a tornar-se, pela observação através dos séculos, o sinal de que a chuva virá, de que os peixes estão correndo, de que determinado animal ou réptil logo existirá em abundância, de que os inhames ou nozes da terra estão prontos para serem retirados, ou de que certos frutos estão maduros. . . . As flores amarelas da acácia são sinal de que as pêgas estarão voando, em suas rotas anuais, sobre as gigantes umbelulárias, de pântano em pântano, para comer os tubérculos dos lírios golfões. De modo que os homens constroem plataformas nos ramos de árvores escolhidas e, esperando, imitam o grasnido das pêgas, que então circulam a árvore e pousam. Mas, ao pousarem são abatidas ao solo com lanças que acertam em cheio, onde são rapidamente abatidas por homens na base da árvore.”
Tristemente, muitas destas perícias já desapareceram hoje. Por exemplo, a arte de seguir o rastro. Na verdade, a polícia ainda usa os aborígenes para seguir a pista de pessoas perdidas no mato, mas bons rastreadores estão desaparecendo depressa. Mas, na época dos sonhos, nossas próprias vidas dependiam disso. Os meninos aprendiam desde a infância a examinar minuciosamente o solo, e a ler a estória por ele contada, fazendo-o tão facilmente como meu filho hoje lê seus livros escolares. Ao chegar à idade adulta, poderíamos contar-lhe a estória de qualquer pedaço de terra, até mesmo de rocha dura — que homem, animal ou réptil havia passado por aquele caminho, e quando. Podíamos seguir tais pistas por dias a fio. As pistas deixadas por uma pessoa, quer fosse antes conhecida nossa quer não, nos contava muita coisa sobre ela; se era alta ou baixa, gorda ou magra, homem ou mulher, doente ou sadia, branca ou aborígene. Ao seguirmos as pistas, podíamos relatar o que ela havia feito no caminho.
Seguir uma pista exigia considerável paciência e perseverança. Podíamos seguir uma pista dum animal o dia todo, e, ao cair da noite, pararmos para dormir e voltar a segui-la no dia seguinte, até que chegássemos à nossa caça. Se, por descuido nosso, o animal viesse a saber de nossa presença e escapasse, então começávamos de novo até que, por fim, ficasse a uma distância de ser lanceado. Acha que poderia fazer isso? Quantas vezes lemos nos jornais sobre homens que teriam morrido no mato sem água se não fossem as nossas perícias.

Ir “Para o Mato”

Eu disse “sem água”, mas isso  apenas para os novos aussies. Nós, aborígenes, sabemos que ali existe água e sabemos como localizá-la. Essa é outra de nossas perícias do “tempo dos, sonhos”. Gostaria de “sair andando por aí” comigo e deixar-me demonstrar isso? Vê aquele matiz verde entre a grama mais marrom? Posso coletar água ali com a ajuda de minha vara de escavar. Se eu furar esta árvore, a água gotejará. Sob aquela lama seca há rãs que estocam a água. As raízes desses eucaliptos, quando comprimidas, dão água. Se eu cavar o suficiente naquele riacho seco, atingirei a água. Assim, como vê; há água por toda a nossa volta nesta região árida, se souber como achá-la.
Efetivamente, há tanta comida como bebida, mas precisa saber onde achá-las. Certo antropólogo moderno alistou os alimentos para os aborígenes numa pequena área como sendo os seguintes: 18 mamíferos e marsupiais, 19 aves, 11 répteis, 6 raízes aquosas, 17 sementes, 3 vegetais, 10 frutas, além de muitas plantas aquosas, fungos e ovos. Provável é que nossa escolha de alimentos e de métodos de cozinhar não lhe atraiam. Os gostos diferem, como dizem. Depois de um dia longo e cansativo, andando a duras penas e caçando, que alegria é sentar-se para comer uma refeição de carne tenra de canguru, lagartos gordos assados vagarosamente em areia ou num fogão de barro, junto com amoras recém-colhidas, folhas verdes e sementes variadas. Delicioso! Mais importante, acha-se repleta de nutrição tão essencial para nossas vidas ativas.
Ao “sairmos andando por aí”, não temos necessidade de casas. No clima favorável da Austrália, não são essenciais. São, de fato, uma desvantagem, pois nos prendem a um lugar em que a água e o alimento logo escasseariam. Nem levamos tendas. Nossas vidas de caçadores exigem que viajemos com pouca bagagem. Assim, além das necessidades — bolsas de água, vara de acender fogo e instrumentos, que as mulheres levam — nós, os homens, levamos apenas lanças e bumerangues.
Numa jornada difícil, a tribo age conforme um determinado padrão. Nós, homens, vamos na frente, bastante espalhados, nossos olhos examinando o solo em busca de rastros recentes. Bem atrás vêm as mulheres, crianças e todos observam o silêncio total. Ora, até as crianças que engatinham não pisarão num galho seco ou numa folha, nem deixarão escapar um suspiro. Lembre-se, um único ruído é suficiente para que tenhamos que ir dormir sem jantar. Conversamos por usar uma linguagem bem desenvolvida de sinais. Com efeito, as palavras básicas têm sinais universais entre todas as tribos. Poderia falar com pessoas cujo idioma não conhece?
A jornada nem sempre é feita de dia. Para conservar a umidade do corpo e perscrutar o canguru noturno, talvez viajemos de noite. Quando chega a hora de acamparmos, então uma “casa” de ramos de árvores, para proteger-nos do vento frio da noite e do sol quente do dia, é logo erguida. Acende-se uma fogueira, e estabelece-se um lar.
Isso me traz ao assunto de acender fogo. Na jornada, nossas varas de fazer fogo são cuidadosamente guardadas da umidade. Veja esta vara parecida a um lápis pontiagudo e esta tábua cheia de buracos chamuscados. Agora, observe. Coloco a ponta do “lápis” em um dos buracos e a giro rápido entre as palmas das mãos, comprimindo-a com firmeza, e veja só como logo a isca começa a arder. Deixe que as centelhas caiam sobre esta isca seca e sopre-a levemente, e, veja só, já acendi o fogo. Quase tão rápido quanto poderia riscar um fósforo! Jantará conosco? Temos pato, larvas gordas, ovos de emu, raízes comestíveis e por fim teremos as amoras que as crianças colhem.

O Bumerangue

Fica imaginando como é que caçamos tais patos? Explicarei. Mas, para fazê-lo, precisarei primeiro descrever nossas armas e métodos de caça. Deixe-me começar pelo bumerangue. Já considerou quão preciso é tal instrumento? Nenhum armeiro já modelou um instrumento perfurador com mais perícia do que modelamos o bumerangue. O comprimento relativo das lâminas, o ângulo de inclinação, a torção helicoidal, a superfície superior convexa qualquer falha poderá arruinar o produto final. A Australian Encyclopedia diz: “Os matemáticos mostraram que ligeira alteração na forma do bumerangue que vai e volta — na proporção do tamanho, da torção e do arredondado — tudo causará mudanças correspondentes em seu vôo que podem ser demonstradas por equações.”
Provavelmente, fica imaginando, ao ver que não temos tábuas de desenho nem instrumentos de precisão, como é que fazemos uma arma tão exata. Seu desenho se acha em nossas cabeças, por assim dizer, aprendido desde a infância. Os únicos instrumentos que usamos em modelá-lo são uma talhadeira, feita do dente de um animal, uma tula ou entalhadeira lascada do quartzo, tendo um fio de corte convexo, e pedaços de pederneira e rocha para amaciar. Todavia, quão cuidadosamente equilibrado e lindamente polido é o instrumento acabado! Poderia fazer um bumerangue? ou lançar um?
Sabia que há dois tipos de bumerangues? Ou que a espécie que vai e volta não é a usada para abater animais? Para isso, usamos apenas o segundo tipo, a vara de atirar. É igualmente feito com cuidado e é de forma similar, mas as lâminas são colocadas em planos que o tornam silencioso. Se fosse barulhento, o “canguru” que pasta ouviria sua aproximação. Gira tão rápido que é letal até a uns cento e oitenta metros. O tipo que vai e volta nós só usamos para o esporte competitivo e para apenas um tipo de caça — para pegar o astuto pato que temos para o jantar.
Estas aves sabidas colocam guardas enquanto se alimentam, de modo que é necessário um estratagema. Uma equipe de caçadores se espalha e cautelosamente se arrasta até à beira da água, onde um deles lança um bumerangue que vai e volta sobre a água. O som de suas lâminas giratórias se assemelha ao bater de asas do gavião-caçador. Soa-se o alarma, os patos alçam vôo, tornando-se alvos fáceis para nossas varas de lançar. Foi assim que capturamos o pato para o jantar de hoje a noite.
Nossa habilidade de desenhar e fazer o bumerangue tem captado o interesse de outras nações, mas esta é apenas uma de nossa perícias. Em nossos tempos de sonhos acumulamos vasto conhecimento da natureza. Aprendemos hábitos animais, a reconhecer e imitar sua voz, a antecipar a direção do vento, a fazer e a lançar delicados arpões para peixes, a converter peles ou madeira em sacos estanques de transporte de água, a lascar e serrear lanças de quartzo, a construir armadilhas para peixes, a construir balsas ou escavar uma canoa dum tronco de árvore. Podemos disfarçar os odores corporais com lama, camuflarmos com ramos de árvores, e, se a caça olhar para o nosso lado, podemos ficar imóveis num instante.

Não Somos Produto da Evolução

Fica imaginando por que eu continuo a lhe trazer à atenção os nossos talentos? Por favor, não me compreenda mal; não mo estou jactando. É porque existe uma teoria corrente, ligada à evolução atéia, de que nós, aborígenes australianos, somos uma espécie de “elo que falta” que ficou. Já viu aquelas gravuras de grande imaginação, de criaturas cavernícolas, meio-homem, meio-animal, com habilidades pouco diferentes dos instintos animais. Tais criaturas jamais existiram a não ser nas páginas dos livros pseudocientíficos. Mas, devido a que nós, aborígenes, não construímos casas, abrigamo-nos em cavernas, não usamos máquinas, tais homens tentam provar que somos intimamente aparentados de tais criaturas. Se ficamos aborrecidos? Naturalmente que ficamos!
O ponto que friso é o seguinte. A diferença entre os povos aparentemente mais atrasados e os mais adiantados é uma questão de oportunidade. As gráficas habilitaram outras nações a acumular vasto conhecimento em bibliotecas, mas nós apenas em nossos “sonhos”. Aqueles que argumentam que, por causa de sua tecnologia avançada, tais nações são mais evoluídas, apóiam-se numa falácia. Não podemos igualar seu conhecimento acumulado, mas podem eles igualar o nosso? O que ilustra o meu ponto: as habilidades dos vários povos foram canalizadas em campos diferentes, cada um segundo suas necessidades.
Houve um artigo que foi publicado há alguns anos atrás. Falava de uma menininha Africana abandonada por uma tribo canibal, salva por estadunidenses e então educada nos EUA. Na faculdade, igualou ou ultrapassou suas colegas. Não é o lugar de nascimento que vale, mas a oportunidade.
Diz-se que um povo pode ser medido pela complexidade de sua língua. Assim, examinemos nossas línguas. Embora sejam agora quinhentas, provêm de uma única fonte. Já, relatei como ainda conversamos em linguagem de sinais, mas nossa língua falada é bastante complexa. A gramática, a ordem das palavras e o vocabulário variam todos. Enquanto o inglês tem seis casos do substantivo, algumas de nossas línguas têm nove. Outras têm três gêneros, em comparação com os dois do francês. O inglês conjuga o verbo em seis tempos, nós o fazemos em onze.

Nosso Sistema Social

Não exigem também respeito a cultura e a civilização que erguemos? Embora cada território tribal tivesse estabelecidos limites, todavia, isso não interferiu nas relações entre as tribos. Em tempos de seca, havia necessidade de compartilhar os recursos de água e de alimento. As relações eram mantidas por embaixadores que levavam uma espécie de posto totêmico tribal, concedendo-lhes a categoria de embaixadores. O portador do poste obtinha livre acesso a outros territórios, onde fazia arranjos para a troca de noivas, assegurava a entrada de alimento ou de água, e assim por diante. Assim se garantiam relações pacíficas.
O sistema social em cada tribo era similarmente bem arranjado. A autoridade às vezes era patriarcal, às vezes cabia de direito a um conselho de anciãos. Diversas tribos andavam nuas, mas o código moral era elevado. Qualquer homem tinha autoridade de atravessar com a lança tanto a esposa adúltera como seu amante. A educação das crianças começava bem cedo, das meninas, a procurar, apanhar e cozinhar insetos e lagartos; dos meninos a procurar e caçar animais, a fazer e usar instrumentos, e a decorar a lei tribal e entre as tribos.
Não está prestando atenção! Será que aquele ruído o distraiu? É Wanju, que pratica tocar sua didgeridoo (flauta de bambu) para a corroboree (festa de canto e dança) de hoje a noite, que está prestes a começar. Venha comigo e observemos.
São nestas festas que muitos de nossos “sonhos” são escritos na mente tribal, pois aqui a lei, os costumes e métodos de caça são treinados. Por exemplo, a dança que começa agora é uma lição de como caçar. Quão sagazmente aqueles homens imitam o canguru. Aqueles outros são os caçadores, observando-os. Entra na dança a mímica das vozes das aves e dos animais. Veja quão vividamente as crianças observam e aprendem. Agora, relatam história, falando da estória de quando a tribo foi salva de grande dilúvio que destruiu todos os demais da humanidade. Eventos recentes são também incorporados na dança. Veja, representam agora as tomadas de um filme, como certa vez viram ser feito. Cada dança representa algum drama, tragédia ou comédia; mas, sempre, com raízes na história tribal.

Como Viemos Parar Aqui

Quando alguém me presenteou uma Bíblia, foi uma surpresa verificar que ela, também, fala do grande dilúvio que acabou de ver na dança. Deixou-me pensando em como nós, aborígenes, viemos desde a longínqua Sinear até a Austrália. Pelo que já li, ninguém parece saber ao certo. As suposições são tão numerosas quanto os seus proponentes. Não obstante, certos fatos se destacam e são de ajuda. Tais são que somos de descendência ariana, e não negróide; que viemos do norte.
É provável que, por virem de ilha em ilha, meus antepassados desembarcaram nas praias da Austrália, e então se espalharam pelo continente, adaptando-se a cada local em que se estabeleceram e, gradualmente, dividindo-se em tribos, estabeleceram costumes locais, incluíram variedades na língua básica, e desenvolveram fronteiras e territórios mútuos. O conhecimento e as perícias, trazidas com eles, adaptaram ao novo ambiente, adquirindo outras com o tempo e a necessidade. Tornaram-se especialistas de sobreviver numa terra árida. Por ficarem então cortados da corrente de conhecimento geral que fluía em outras terras, as circunstâncias os modelaram segundo o padrão que os primeiros colonizadores europeus encontraram quando chegaram em 1770 E. C.
Duas civilizações, totalmente dessemelhantes, então se chocaram. Devido a que os recém-chegados não se conscientizaram de nossos limites territoriais e de nossos métodos de cuidar da terra, concluíram que a terra não tinha dono e lançaram-se a explorar sua descoberta. De início, fomos tolerantes, mas, inevitavelmente, seguiu-se a guerra. O mosquete defrontou-se com a lança. Pouco a pouco, nossa terra caiu nas mãos dos recém-chegados e nós, aborígenes, vimo-nos lançados para as reservas. Vimos nossas florestas caírem a golpes de machado, do fogo e do trator; testemunhamos as espécies de vida selvagem serem extintas, e outras a chegarem perto da extinção. A vara de cavar e o trator entraram em conflito e o trator ganhou.
Ganhou mesmo? Hectares de terra são agora montanhas de pó; o solo arável é levado para o mar; os rios são conspurcados. Os inseticidas minam a ecologia dos insetos, das aves e dos animais e agora ameaçam até o próprio homem. Assim como nós, aborígenes, vivemos nas reservas, assim também muitas espécies de aves e animais raros só existem em pequenos bolsões que declinam rápido em tamanho e número.
Apenas no vasto interior desértico da Austrália existem bolsões de aborígenes que vivem ainda nos dias do seu “tempo de sonhos”. Um destes, a tribo de Pintubi, foi apenas recentemente (1957 E. C.) contactada por um jornalista de Melbourne, no Deserto de Gibson, a uns 960 quilômetros a oeste de Alice Springs. Seu relatório sobre eles incluía o seguinte: jamais tinham visto antes um homem branco, nem dinheiro, peixe, nem farinha de trigo; caçavam com cães selvagens domesticados, comiam roedores e lagartos, andavam nus, jamais se banharam e falavam apenas em suaves sussurros.

in Despertai de 22/8/1972 pp. 21-27

segunda-feira, 12 de março de 2012

Provérbio da semana ( 20:21 )


Uma herança, no princípio, é obtida com avidez, mas o seu próprio futuro não será abençoado.

terça-feira, 6 de março de 2012

Jovem encontra bilhete da lotaria com 60 mil euros de prémio




Com apenas 19 anos, Ryan Kitching pode considerar-se um sortudo. Ao remexer num conjunto de coisas desarrumadas, saiu-lhe a lotaria. Literalmente.


Tudo começou quando o jovem escocês foi obrigado pela mãe a arrumar o quarto. Quando mexia em vários papéis, Ryan encontrou vários bilhetes de totoloto velhos.

Segundo a imprensa britânica, o jovem até pensou deitar os boletins fora, mas acabou por levá-los a uma loja. Foi aí que descobriu que um deles tinha um prémio de mais de 50 mil libras (cerca de 60 mil euros).

«Estou sem palavras, é o dia mais feliz da minha vida. A minha mãe já andava a chatear-me há semanas para arrumar o quarto. Então, para a calar, resolvi ir arrumá-lo e encontrei uma série de bilhetes antigos», relatou o jovem, contando que lhe saiu a sorte grande. À mãe, o adolescente resolveu oferecer umas férias.

in abola.pt

Crianças e jovens, toca a arrumar os vossos quartos! Os pais agradecem!

domingo, 4 de março de 2012

Palavra da semana ( 18 )

meeiro 
(meio + -eiro



adj.
1. Que tem de ser ou que pode ser dividido em dois quinhões iguais.
adj. s. m.
2. Que ou quem possui ou tem direito a metade em alguma coisa.
3. Que ou quem cultiva um terreno de outrem, com quem tem de dividir o produto daí resultante.

sábado, 3 de março de 2012

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Borobudur — filosofia em pedra





NUM ambiente pitoresco de campos esverdeados de arroz dispostos em terraços na parte central de Java, acha-se localizado Borobudur. Construído por volta de 800 E. C., tem um nome que se pensa significar “mosteiro da colina”. Mas, ao invés de ser um mosteiro, trata-se de enorme pilha quadrada de pedras, de quarenta e dois metros de altura, que envolve o topo duma colina. Bastante estranho é que a filosofia de Buda se ache refletida nesta pilha gigantesca de pedras.
O ensino budista não concebe a Deus como ser pessoal. Assim, o homem se torna a coisa importante. É por isso que muitos budistas chineses são, ao mesmo tempo, também seguidores do tauísmo e do confucionismo, para preencher a falta religiosa do budismo. Visto que o budismo não é tanto uma crença como é uma filosofia, Borobudur se assemelha, não a um lugar de adoração, mas a um de meditação.
Hoje, além de ser atração turística favorita, Borobudur serve de lugar sagrado para os budistas indonésios. Muitos deles fazem uma peregrinação anual ali, a fim de celebrar sua festa mais importante, o esclarecimento de Buda, durante a noite de lua cheia de maio.

Mágica Levada a Sério

Naquela noite, os seguidores de Buda se reúnem no campo que cerca Borobudur. O lugar se torna, crêem eles, forte reserva de poder mágico. “Magia branca” é obtida, segundo se diz, para combater a “magia negra”. O espírito de Buda, segundo se pensa, aparece em forma visível no topo duma montanha meridional, e, depois de terminada a celebração, leva-se “água mágica” de Borobudur para aqueles que não puderam comparecer à celebração, bem como para curar os doentes.
Aqueles que testemunharam a Waiçak, ou a celebração do esclarecimento de Buda, já viram quão importante o espiritismo ou ocultismo é para os budistas. Tais observadores talvez fiquem corretamente pensando em por que os budistas não acreditam em Deus, e, todavia, consideram mui seriamente o poder mágico de criaturas invisíveis.

Representada a Evolução Budista

A própria forma do monumento de Borobudur se assemelha à filosofia do budismo. Como assim? Construído em dez terraços, com pequeno quarto no topo, representa o conceito budista da transferência gradual do ser humano para o destino final de Buda — nirvana. Isto é representado pela câmara superior central. Não há entradas claramente marcadas. Mas, de todos os quatro lados há lanços de escadas e entradas de portões que levam à câmara superior da pirâmide escalonada.
A evolução é parte da filosofia budista. Pensa-se que toda vida originou-se nas rochas. Diz-se que a rocha se torna areia, a areia vira plantas, as plantas transformam-se em insetos, os insetos em animais selvagens, os animais selvagens em animais domésticos, e os animais domésticos, segundo pensam os budistas, se tornam humanos.
Não se exigem elos, como no darwinismo, visto que se pensa que a evolução do tipo budista é alcançada pela reencarnação. Assim, crêem os budistas que Gautama Buda mesmo, antes de se tornar humano, viveu certa vez como coelho, outra vez como tartaruga, daí, como macaco. Em seguida, tornou-se homem, segundo a filosofia budista, mais tarde, um espírito, e, finalmente, entrou no nirvana.
Então, todos estes diferentes estágios de vida, segundo o conceito budista, são ilustrados por meio de esculturas e estátuas artísticas no inteiro monumento de Borobudur. Por exemplo, a suposta vida pré-humana de Buda é representada como um coelho, ou como uma boa tartaruga que salva as vidas de marujos náufragos por levá-los de novo seguramente para à praia. Assim, as esculturas representam a filosofia budista da evolução do homem.

Esforços de Eliminar o Sofrimento Humano

Ilustrado em Borobudur, nas centenas de baixos-relevos bem preservados, nos primeiros cinco terraços, é o conceito budista da vida plena de sofrimento.
Siddhartha Gautama, chamado o Buda, que significa o Iluminado, segundo se diz, viveu de 563 a 483 A. E. C. Movido pela súbita compreensão da doença, da velhice e da morte, deixou seu lar em busca de sabedoria que eliminasse o sofrer humano. Isso se deu há longo tempo, e seus ensinos se espalharam pela Ásia inteira. Mas, se pensarmos um instante, o que conseguiu realizar?
Com suas boas intenções, será que Gautama por fim teve êxito em solver os problemas humanos? Eliminou a doença e sua causa, a velhice e a morte e suas causas? Ou as pessoas, até mesmo hoje em dia, 2.500 anos depois do esclarecimento de Gautama, sofrem doenças, velhice e morte? Talvez diga: “Naturalmente, eu também me sinto doente às vezes; tenho visto pessoas envelhecerem e morrerem.” Daí, teve Buda realmente êxito em livrar as pessoas do sofrimento?
Depois de gastar sete semanas sob a sombra de uma árvore bo, chegou à conclusão certa noite que a caridade e a renúncia são as chaves para o nirvana. Seu argumento foi que se uma pessoa de forma alguma é afetada pelo que vê, ouve, cheira, sente, prova e pensa, torna-se livre, não envolvido, inconsciente da vida, da morte, da velhice e da doença. Entra no que é chamado de nirvana, que é descrita, não como um lugar em alguma parte, mas como condição, o fim de todo sofrer.
Talvez fique naturalmente pensando: Como se consegue ficar completamente indiferente à vida; não ouvir nada, ou não ver nada? Se, por exemplo, vê algo muito horrível, algo realmente repugnante feito a seu amigo, não se sente de imediato movido a agir? A maioria se sentiria. Ou, se subitamente compreendesse que está pondo a mão em algo muito quente, não a retiraria logo dali? É isso que toda pessoa normal faria.

Nenhuma Lembrança na “Reencarnação”

O que vem em seguida na filosofia do budismo é mostrado nos próximos quatro terraços. Esta parte de Borobudur não tem forma de quadrado como a parte inferior, mas é circular e se acha coberta de setenta e duas câmaras em forma de sino, de pedra perfurada. Cada câmara contém uma estátua de Buda. Tais estátuas, não tendo ornamentos, são consideradas pelos budistas como indicando a vida espiritual num nível mais alto do que o humano. Embora a posição principal de Buda seja a mesma em cada estátua, as posições diferentes de suas mãos, segundo se pensa, indicam o progresso a virtudes mais elevadas.
Visto que parecia impossível que um humano ficasse completamente dissociado da vida, que não sentisse nada, nem visse, ouvisse, cheirasse ou pensasse algo durante seu curto período de vida, Gautama continuou na crença hindu da reencarnação, a evolução do homem numa forma mais elevada, após sua morte.
Após a morte da pessoa, segundo este conceito, sua verdadeira personalidade espiritual é imediatamente transferida para um bebê recém-nascido em outra parte, e este agora tem oportunidade de continuar seu progresso humano até alcançar a vida inconsciente. Se viveu uma vida boa durante o primeiro período de vida, pensa-se que sua nova vida será uma melhora. Isto é, talvez tenha pais mais ricos, seja mais simpático ou tenha melhores características de sua personalidade. Por outro lado, se foi ruim, pensa-se que talvez renasça sob condições mais pobres, seja mais feio, ou, se foi realmente um sujeito ruim, talvez seja até transferido novamente para um animal doméstico recém-nascido.
Mas, talvez pense: Que benefício há na reencarnação, em uma experiência, se não pode lembrar-se de nada do que aconteceu na vida anterior? Como poderia haver melhora da personalidade, ou empenho de alcançar um desejo mais elevado, se todas as lições da vida prévia não são mais lembradas?

Dissociação ou Gozo da Vida?

Ao visitar as setenta e duas estátuas nos quatro terraços, o peregrino budista põe-se em busca da liberdade da vida humana. Cada imagem, por meio de como as mãos são seguradas, fornece indícios, segundo dito, de como dissociar-se, ou ficar inconsciente da vida. Talvez se quede pensativo, contudo, de como a pessoa pode vir a ser feliz, gozar e compartilhar a felicidade, se dissociar-se da vida. Pois justo o contrário é necessário para se gozar a vida — a participação, o uso dos sentidos e o uso do cérebro.
Será que Buda realmente ensinou o amor à vida? Ou sua filosofia indica, ao invés, o temor da vida? Tentar fugir dela, dissociar-se da vida, não é certamente um meio bem sucedido de tornar a si mesmo feliz ou tornar felizes a outros. Não é a filosofia de esclarecimento de Gautama antes um meio de livrar-se da vida, de acabar sua existência, enquanto a pessoa tenta convencer a si mesma e a outros duma nobreza incerta de assim fazer?
O tormento num inferno de fogo, numa vida após a morte, foi sempre uma expectativa temerosa do hinduísmo; o budismo tenta abolir este temor por concentrar-se na não-participação. Visto que o uso dos sentidos seria necessário para tornar o inferno um lugar a ser temido, Buda pensou que, por lançar os sentidos fora de ação, isto tornaria ineficaz o inferno; e o estado de não-participação aboliria todas as coisas, boas e ruins, agradáveis bem como desagradáveis.
O décimo e último terraço de Borobudur é formado por enorme estrutura em forma de sino. Contém uma câmara vazia, com dois compartimentos. Se o peregrino chega a alcançar estas salas, mantém completo silêncio, meditando que, agora, de forma simbólica, alcançou o nirvana, a maior forma de dissociação. Deixa de existir. O mundo ainda está ali, mas ele mesmo já saiu dele. Nenhuma questão material ou espiritual o atingirá mais, crê-se. Para ele, o mundo acabou, e não há nada mais que venha depois disso.

in Despertai de 22/8/1972 pp. 17-20

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Provérbio da semana ( 20:20 )


Quanto àquele que invocar o mal sobre seu pai e sobre sua mãe, sua lâmpada será apagada ao aproximar-se a escuridão.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Palavra da semana ( 17 )

imoto |ó| 

(latim immotus, -a, -um

adj.



1. Que não se mexe. = FIXO, IMÓVEL
2. Permanente.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

O saber não ocupa lugar ( 339 )







O explorador sueco Salomon August Andrée morreu em 1897 enquanto tentava alcançar o Pólo Norte em um balão, mas seu corpo só foi recuperado 33 anos depois.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O surpreendente avestruz




GOSTARIA de iniciar sua refeição comendo pedrinhas? Não é lá um jeito agradável de almoçar, mas, para o surpreendente Sr. Avestruz, não há nada melhor. Os objetos duros passam direto para o estômago da ave e, dali, vão para seu segundo estômago, a moela. Esta funciona como um moinho, o alimento sendo moído pela ação das paredes musculares.
O alimento dos filhotes da surpreendente família do avestruz é incomum. Quando os filhotes são chocados, fezes umedecidas da mãe são indispensável alimento para os filhotes. Fornece as bactérias necessárias para iniciar os processos digestivos do filhote.
Na África do Sul há um bom número de fazendas criadoras de avestruzes. Aqui, estas aves grandes são criadas, não só por causa de suas plumas, mas também por suas peles, que se transformam em couro de excelente qualidade. No distrito de Oudtshoorn há duzentas fazendas que criam cerca de 70.000 avestruzes. Nestas fazendas, o Sr. Avestruz tem grande quinhão na tarefa de chocar os ovos. A fêmea senta-se ao dia, de modo que suas plumas cinza-marrons se misturem com os arbustos das regiões semi-áridas. O macho se senta à noite pela mesma razão — para camuflagem, sua plumagem preto e branca sendo invisível à noite.
Pouco antes de os ovos serem postos, o macho se sentará perto da fêmea, até mesmo durante o dia, ou ficará de pé perto dela, lançando sua sombra sobre ela, a fim de protegê-la dos raios do sol subtropical.
A Madame Avestruz porá de doze a quinze ovos. Se o fazendeiro remover tais ovos, ela continuará pondo, até trinta ovos, uma vez que se deixe no ninho um ovo de imitação. Desta forma, podem-se obter anualmente três posturas, ao invés de uma.
Como seria de se esperar da maior ave viva do mundo, os ovos são enormes e talvez cheguem a pesar um quilo e trezentos gramas. O Grandioso Criador fez provisão para que o embrião seja tão suspenso no ovo que, não importa como seja virado o ovo, o embrião suba, de forma que o ponto vital contacte o corpo quente do genitor. Os filhotes são incubados depois de seis semanas.
O filhote fica enrolado como guarda-chuva de miniatura dentro da casca, com patas e bico unidos. No estágio final da incubação, o filhote chuta a casca, rompendo-a com sua forte unha do dedo reforçada pelo osso. Quando crescido, o avestruz poderá atingir quase dois metros e quarenta e chegar a pesar até uns 157 quilos.
Apesar de sua construção robusta, o avestruz é uma ave muito graciosa. Com efeito, já foram vistos dançando ao som da flauta de bambu de um jovem pastor.
Ou, talvez, prefira ver um macho executando sua dança de cortejo? Sente-se em seus quadris, espalhando as asas de modo que a brilhante plumagem branca fique plenamente exposta, enquanto move o corpo vagarosamente, de um lado para o outro. O pescoço arquea-se para trás com a elegância do cisne; a cabeça bate com um baque surdo contra cada lado do corpo, alternadamente. O canto de acasalamento compõe-se de três grasnadelas profundas, seguidas de uma grasnadela mais curta. Pode ser ouvido a uma distância de mais de três quilômetros e soa como o rugido dum leão.
Embora seja uma ave que não voa, o avestruz compensa isso por ser surpreendente corredor. Suas pernas longas podem transportá-lo a velocidades de uns 60 a 65 quilômetros horários.
Se não puder esconder-se do perigo, o avestruz não enterra a cabeça na areia. Antes, defende seu ninho por dar poderosas patadas. O avestruz é ímpar entre todas as aves no sentido de ter dois dedos em cada pata, um deles provido de um casco semelhante a uma garra que se torna poderosa arma quando a ave é obrigada a defender-se.
Certas características do avestruz, segundo se diz, deixam atônitos os cientistas. Tem uma bexiga que coleta ácido úrico, órgão característico dos mamíferos, mas não possuído por qualquer outra família de aves. Também possui pestanas que protegem seus olhos da areia que é soprada pelo vento. Na verdade, o avestruz surpreendente dá crédito à sabedoria de seu Criador.

in Despertai de 22/8/1972 p. 16

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Provérbio da semana ( 20:19 )


Quem anda em volta como caluniador está revelando palestra confidencial; e não deves ter associação com quem está engodado pelos seus lábios.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Presa por matar marido, sueca Natalia Pshenkina pede férias ao Governo







Natalia Pshenkina, de 31 anos, pediu ao Governo sueco para ter férias. Até aqui, tudo normal, não fosse o facto de a mulher estar a cumprir uma sentença de prisão perpétua por ter assassinado o marido.



O crime remonta a 2005, mas só em 2010 Natalia foi condenada. Desde aí, encontra-se a cumprir pena na cadeia de Ystad, onde tem um emprego. Como qualquer trabalhadora, considera que tem os mesmos direitos e, por isso, exige, um tempo para descanso.

O pedido de Natalia chegou ao Conselheiro de Justiça da Suécia, mas não recebeu a resposta pretendida pela detida. Um porta-voz dos Serviços Prisionais esclareceu que os presos não têm os mesmos direitos laborais que os restantes trabalhadores.

Natalia vai ter de continuar a trabalhar sem direito a descansar.


Está presa e queria os mesmos direitos dos trabalhadores! Nem os que trabalham têm os direitos que deviam!!!!!!


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Palavra da semana ( 16 )

septicole

(latim septicollis, -e


[Linguagem poética]  Que tem sete colinas ou montes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O saber não ocupa lugar ( 338 )







sal é mais eficiente que a água na eliminação do ardor causado pela ingestão de pimenta.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Esclerose múltipla — desconcertante doença





SENTE-SE duro como uma tábua ao tentar sair da cama pela manhã?
Não consegue andar, de modo que uma cadeira de rodas é necessária? É preciso que alguém lhe puxe as pernas e o ajude a sentar-se num banco, de modo a banhar-se? Tinha antes bom controle duma caneta, mas, agora, dificilmente consegue escrever seu nome? Tem dificuldades de controlar a bexiga, especialmente em tempo frio ou chuvoso? Vê bem e, seus olhos ficam enuviados ou sofre de visão dupla?
Talvez tenha esclerose múltipla — a desconcertante EM.

O Que É?

Esclerose múltipla é uma doença do sistema nervoso central. Ataca o isolamento das fibras nervosas do cérebro e da medula espinhal. As fibras nervosas normais são isoladas por uma camada de tecido gorduroso. Este isolamento poderia ser comparado ao isolamento do fio telefônico. Quando o isolamento em torno duma fibra nervosa se rompe, devido à EM, é interrompida a condução de impulsos ao longo da fibra agora exposta. Há um curto circuito dos impulsos nervosos, e as correspondentes células musculares ficam paralizadas.
Em áreas em que o isolamento da fibra nervosa é rompido, formam-se tecidos endurecidos; isto resulta em placas duras no cérebro e na medula espinhal. “Esclerose” vem da palavra grega que significa “duro”. Porque estas pequenas arcas endurecidas aparecem espalhadas pela massa branca e cinzenta do cérebro e da medula espinhal, a doença é chamada esclerose “múltipla”.
Alguns dos sintomas são a fadiga, a dormência, o formigamento, a falta de coordenação, fortes movimentos contorsivos, fraqueza ou espasmos dos músculos do braço, da perna e do olho (causando obscurecimento e a visão dupla) tremores dos membros ao se tentar alguma ação especial, o atordoamento, a marcha espástica, a paralisia real, dores de cabeça, debilidade da bexiga e endurecimento dos membros.

Aspectos Esquisitos da EM

Um dos muitos aspectos esquisitos da EM é que ataca principalmente pessoas no primor da vida, pessoas entre vinte e quarenta anos. Com efeito, os médicos relatam que a EM é a doença mais comum do sistema nervoso que atinge as pessoas no primor da vida na Europa setentrional e na América do Norte. Cerca de 250.000 estadunidenses, e possivelmente muitos mais, sofrem disso. É mais comum em áreas economicamente avançadas da terra, onde os padrões higiênicos são os mais elevados. “Quanto mais primitiva for a sociedade”, afirma certo médico, “tanto menor será o problema da EM”. É relativamente mais comum nos climas frios. É relativamente rara na América do Sul, na África, e nos países asiáticos.
A EM é lentamente progressiva, talvez se desenvolvendo de quinze a trinta anos. Via de regra, é uma doença que vai piorando, estaciona e então volta. Graves sintomas talvez surjam e, então, de modo igualmente súbito, desapareçam. O paciente talvez descubra subitamente que pode andar de novo. Sua visão talvez seja restaurada. Talvez seja um escriturário, sendo capaz de manter-se num emprego, datilografar e vestir-se. Daí, sem aviso, suas mãos se tornam desajeitadas, inábeis e tão insensíveis que ele baterá as teclas erradas. A fala fica vagarosa e quebrada em pequenas sílabas. Muito embora a melhora seja espontânea, talvez retorne a um estado similar, ou até pior. É a desconcertante EM.
A despeito de muita pesquisa médica, a EM permanece sendo, como certo médico se expressou, “uma doença sem causa conhecida, com curso imprevisível, sem cura descoberta e sem sequer um teste simples de laboratório que confirme seu diagnóstico”. É a desconcertante EM.

Causas Possíveis

A EM foi descrita pela primeira vez em pormenores em 1868, e, desde então, muitos conceitos foram aventados quanto às causas possíveis. Um dos mais populares, nos anos recentes, é o de que a EM é uma doença auto-imune; isto é, uma em que o corpo produz anticorpos que atacam suas próprias substâncias.
No entanto, há autoridades que crêem que a EM se liga a um vírus. Exemplificando, escrevendo em Scientific American, de julho de 1970, o epidemiologista inglês, Dr. Geoffrey Dean, relata que as variações em sua incidência ao redor do mundo sugerem que resulta duma infecção causada por um vírus da espécie “vagarosa” ou latente, pouco conhecida. Normalmente, crê ele, a EM é “uma infecção virosa da infância”, como a poliomielite. Quanto mais cedo a criança ficar exposta ao vírus da pólio, tanto menos provável é que desenvolva a variedade que aleija. Mas, nas partes do mundo dotadas de alto padrão higiênico, a criança talvez não seja infetada bem cedo na vida; daí, se ocorrer pela primeira vez no início da vida adulta, terá conseqüências mais séries. A teoria do vírus, semelhante às demais, não foi provada.

Tratamento e Ajudas Gerais

Não existe terapia específica para a EM, mas muitos médicos usam esteróides adrenocorticais, tais como a cortisona. Crê-se que o uso temporário desta droga talvez apresse a recuperação ou a remissão. Mas, quer tais drogas realmente encurtem um episódio agudo quer o diminuam de intensidade ainda é sujeito a debates. Assim, grande parte da terapia para tratamento da EM se relaciona ao alívio dos sintomas, e usam-se drogas de várias espécies. Variam as opiniões, e também o tratamento da EM. É a desconcertante EM.
Muitos médicos recomendam a terapia ocupacional, que talvez possa ser tricotar, pintar, datilografar e assim por diante, qualquer coisa que mantenha ativa a mente e não concentrada na doença da pessoa. Bastante repouso, um conceito mental feliz e a determinação de ficar bom são de ajuda. É importante manter elevado o moral do paciente, e uma atitude compassiva e esperançosa da parte da família ajudará a tornar a vida mais agradável para todos os envolvidos.
A extrema fadiga, a exposição ao frio ou à umidade devem todos ser evitados. As infecções de qualquer tipo, em especial as respiratórias, não raro provocam recaídas ou fazem que a doença piore.
Há também a necessidade de evitar as emoções prejudiciais, tais como a ira e a raiva. Os estudos demonstram que as emoções prejudiciais crônicas provavelmente exercem efeito ruim sobre a atividade da doença. A tensão emocional aguda talvez provoque grave ataque.
Crê-se que a inatividade levará à rigidez das pernas. Assim, escrevendo no volume Current Therapy (1967), o Dr. W. W. Tourtellotte, médico, do Centro Médico da Universidade de Michigan, EUA, afirma sobre os pacientes com EM: “Incentiva-se os pacientes moderadamente afligidos a andar diariamente até quase além do ponto de fadiga. . . . Nossa experiência é que os pacientes com esclerose múltipla devem manter-se ativos e ocupados enquanto sua condição neurológica permitir.”

Fatores Nutricionais

Existe muita controvérsia quanto a se tomar certas vitaminas ajudarão o paciente com EM. Tem havido relatórios de melhora depois de se tomarem algumas vitaminas, mas a classe médica em geral crê que não existe real evidência nem apoio para muitas das conclusões tiradas. The Merck Manual of Diagnosis and Therapy (Manual Merck de Diagnóstico e Terapia) declara que os preparados de vitaminas podem ser tomados pelos seus “efeitos psicoterapêuticos e tônicos”. Recomendados, neste respeito, são o ácido nicotínico (niacina) é as vitaminas B1 e B12. Os médicos franceses que usaram a vitamina B12 para tratar a EM relataram considerável melhora dos pacientes.
Os nutrólogos em geral crêem, pela sua pesquisa, que as vitaminas podem ajudar o paciente com EM. A nutróloga Adelle Davis, por exemplo, relata em seu livro Let’s Get Well (Vamos Ficar Bons): “Quando os pacientes que sofrem de esclerose múltipla tomaram vitaminas E, B6 e outras vitaminas B, a moléstia estacionou; até mesmo casos avançados melhoraram no seu modo de andar e exerceram melhor controle sobre a bexiga e tiveram menos espasmos no braço e na perna. A calcificação do tecido mole foi impedida com a vitamina E. Parece-me que todos estes nutrientes devem ser destacados na dieta de qualquer pessoa que sofra desta moléstia.”
Também, a nutróloga Catharyn Elwood relata que o Doutor J. E. Crane “tem tido maravilhoso êxito com o tratamento da esclerose múltipla com a vitamina E. De 24 casos graves, 18 ‘melhoraram consideravelmente’”.
Relatou-se também que a Vitamina C é de algum valor nisso. Em The Complete Book of Vitamins (O Livro Completo das Vitaminas), faz-se a declaração: “Na esclerose múltipla, a melhora objetiva e subjetiva foi observada na maioria dos casos ao serem administradas grandes doses de ácido ascórbico”.
Um livro recente, New Hope for Incurable Diseases (Nova Esperança Para as Moléstias Incuráveis; Nova Iorque; ), contém um capítulo sobre a EM. Os autores, E. Cheraskin, médico, e W. M. Ringsdorf Jr., cirurgião-dentista, falam de pacientes com EM que foram beneficiados por uma dieta baixa de carboidratos. Uma dieta alta de carboidratos tornou piores seus sintomas. Afirmam os autores: “Há esperança para a pessoa acometida de esclerose múltipla! A dieta, como instrumento terapêutico, certamente deve ser incluída à base desta evidência.” A luz da evidência dietária que descobriram, afirmam tais médicos: “Açúcares simples e gorduras saturadas devem ser consideradas como fatores suscetíveis da esclerose múltipla.”
Com respeito à prevenção, tais médios afirmam: “É provável que a dieta que ofereça mais esperança para o incurável também talvez impeça o desenvolvimento de tais desordens.” Os fatores dietários recomendados por tais autoridades são: Proteína adequada e “1. Restrição do carboidrato dietário, especialmente o açúcar, o xarope, e alimentos amidoados super-refinados. 2. Restrição de gorduras saturadas e substituição por gorduras não-saturadas. 3. Suplementação múltipla de vitaminas e minerais. 4. Megadoses de Vitamina C e vitamina B.”

in Despertai de 22/8/1972 pp. 9-11

OBRIGADO RUI COSTA!

AMOR MEU, DOR MINHA

DOR MINHA QUE BATES NO CORAÇÃO,
OLHOS TEUS QUE CRUZAM COM A PAIXÃO;

PARA ONDE FORES CONTIGO IREI,
ONDE ESTIVERES AÍ FICAREI;

NA ROTA DO AMOR BUSCAMOS SINTONIA,
SENDO O MAIS IMPORTANTE A COMPANHIA;

FELIZ AQUELE QUE TE AMA,
E QUE PODE ALIMENTAR A CHAMA;

FICAREI. FELIZ. SINTO O TEU ABRAÇO FORTE,
SINTO QUE O AMOR NÃO ALIMENTA A MORTE;

POR TUDO ISTO UM ADEUS NÃO PERMITO,
NO NOSSO CORAÇÃO O AMOR NÃO É MALDITO.