Praticante do Brandismo - "Empenha-te pela justiça, pela devoção piedosa, pela fé, pelo amor, pela perseverança, pela BRANDURA de temperamento"
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sexta-feira, 27 de maio de 2011
O que significa ser um bombeiro duma grande cidade
MUITAS pessoas me têm dito: “Deve ser excitante ser bombeiro. “Consideram subir escadas, salvar pessoas e combater as chamas como um trabalho atraente. De maneira que ficam surpresas quando lhes dou uma impressão muito diferente.
Nos meus dezoito anos de bombeiro da cidade de Nova Iorque, já corri a milhares de incêndios. Tenho pulado no carro e corrido para centenas de edifícios em chamas. No entanto, lá dentro, num quarto ou corredor repleto de fumaça — que os outros não podem ver — não há nenhum atrativo ou excitação. Ali, o bombeiro luta pela sua vida e talvez pelas vidas de outros.
Trabalho Duro e Arriscado
A fumaça não raro é tão grossa que não se pode ver nada — uma luz brilhante a apenas alguns metros talvez se torne difícil de ver. Tudo precisa ser feito pelo tato. Tem-se uma sensação de inutilidade — “ateando-se pelo interior de um prédio desconhecido.
Rapidamente, o bombeiro procura uma parede e se arrasta ao longo dela. Procura sentir corpos e achar uma janela que possa quebrar para deixar escapar a fumaça venenosa. Tossindo e sentindo-se sufocado, luta para conseguir respirar. As vezes, precisa manter o rosto a alguns centímetros do chão para respirar. A cada inalação dolorosa, traga mais fumaça irritante, carregada do mortífero monóxido de carbono e outros gases tóxicos. Seus olhos ardem. Sobe a temperatura do seu corpo, à medida que o calor sufocante mina-lhe as forças.
Às vezes, os bombeiros são sobrepujados pela fumaça e pelo calor. Daí, precisam ser arrastados para um lugar seguro. Mas, alguns não são tão felizes — cerca de oito bombeiros de Nova Iorque morrem cada ano no cumprimento do dever. Os demais encaram as perspectivas de uma vida mais curta, devido aos produtos tóxicos da combustão que inalam semana após semana. Visto que até mesmo a regular poluição atmosférica da cidade é perigosa para a saúde, pode imaginar os danos causados aos bombeiros que repetidas vezes entram em prédios tão cheios de fumaça que até sua visão fica obscurecida!
Além dos riscos pessoais, porém, há a sensação angustiosa e impotente quando se chega tarde demais para ajudar. Já vi vítimas tão queimadas que praticamente se desfizeram nos meus braços. Não há nenhum atrativo na morte, ou em se ver mães soluçando e histéricas agarrar-se aos restos de seus filhos. Nem é excitante a tristeza nos rostos daqueles que perderam tudo que possuíam. Tenho visto estas coisas, vez após vez, e é desesperador.
O Que o Incêndio Pode Causar
Os bombeiros, creio eu, tem um conceito inteiramente diverso do incêndio e de perigos do que os outros cidadãos. Sabemos o que o incêndio pode causar e quão imprevisível pode ser. Tenho visto incêndios que arderam por horas a fio em fogo lento e, de súbito, romperam em chamas e engolfaram um quarto. Tenho estado em incêndios que, minutos depois de ocorrerem, envolveram prédios de muitos andares. Tenho visto como a fumaça de um colchão em combustão pode matar. Até mesmo pessoas muitos andares acima do incêndio real morreram pela inalação de fumaça.
Gostaria de transmitir-lhes o que um incêndio pode causar — não com a intenção de assustar ou chocar o leitor — mas a fim de que tome medidas para proteger a si mesmo e seus entes queridos. Pense só: Os incêndios ceifam 12.000 vítimas por ano apenas nos EUA! Pense também, nas dezenas de milhares de pessoas que sobrevivem, mas que ficam dolorosamente queimadas, algumas aleijadas para o resto da vida.
As estatísticas são frias e sem vida. Mas, quando a pessoa se acha pessoalmente envolvida, adquire uma impressão indelével. Tenho muitas memórias que fornecem um quadro mais vívido do que um incêndio pode causar do que qualquer estatística.
Pode Despedaçar-lhe o Coração
Anos atrás, respondi a um chamado, chegando a um apartamento em Brooklyn, onde tudo parecia sob controle. Havia-se apagado o incêndio. Quase o único sinal dele era uma cortina parcialmente queimada. A menininha, de cerca de sete anos, contudo, ficara ferida. Havia incendiado a cortina, e, aparentemente, ao tentar apagar o incêndio, puxara a cortina e incendiara seu vestido. Seus pais combateram as chamas.
Não pareciam imaginar que sua filhinha estivesse seriamente ferida. Mas, quando olhei para ela de perto, meu coração quase parou. O lado interno de suas pernas estava horrivelmente queimado, também parte de suas costas. Ela estava em estado de choque, e, assim, não sentia efeitos adversos. Com efeito, parecia normal. Estava sentada e, a seu pedido, foi ligado seu programa favorito de TV. Senti-me tão inútil esperando que chegasse a ambulância, tão sem jeito e sem saber o que fazer. Na manhã seguinte telefonei ao hospital. A menina falecera durante a noite.
Não é preciso um grande incêndio — um momento de descuido e alguns segundos bastam para a pessoa ficar fatalmente ferida. Acontece regularmente! A pessoa mediana simplesmente não compreende quão perigoso é o incêndio, quão rápido se espalha.
Em outra ocasião, acabávamos de nos sentar para almoçar no quartel quando soou o alarma. Uma casa de dois pavimentos em Brooklyn ardia em chamas. Ao chegarmos lá, o fogo envolvera a cozinha e todo o primeiro andar. Visto que era por volta do meio-dia, pensamos que todos tinham saído. Mas, depois de apagar o incêndio, descobrimos o corpo dum garoto na cozinha. E, momentos depois, por trás da cozinha, no banheiro cheio de fumaça, praticamente tropecei sobre outra criança, morta. Quão rapidamente haviam sido sobrepujadas!
A mãe castigara seu filho por mandá-lo para o quarto. De alguma forma, o incêndio começou ali, mas ela não ficou sabendo dele até que as chamas se tornaram visíveis a ela e seu filho saiu correndo. Sua primeira reação foi subir as escadas e ajudar uma pessoa aleijada que morava com eles. Quando conseguiu retirá-la, já o primeiro andar ardia em chamas. Ela pensou que seus filhos, com `cerca de oito e meio anos de idade, também haviam saído. Ela ficou procurando por eles. Mas, aparentemente hesitaram demais ou entraram em pânico.
Apanhei o corpo na cozinha e o levei para o hospital do outro lado da rua. Estava tão queimado que quase não se mantinha unido. A mãe ficou histérica. O médico olhou para os restos tostados e rapidamente virou a cabeça, desesperado.
Por volta dessa hora, os escolares voltavam para almoçar. Alguns exclamavam excitadamente: “Vejam, há um incêndio ali!” E, ao chegarem mais perto: “É no meu quarteirão!” Daí, pude ouvir um deles afirmar, num tom inteiramente diferente, cheio de ansiedade “Oh, é na minha casa.” Isto realmente me feriu. Pois um jovem estava prestes a saber que seus irmãos mais jovens haviam morrido de forma horrível. Nunca esquecerei o desespero que senti.
O que me fere quando vejo estas tragédias é que não precisariam ter acontecido. Poderiam ser evitadas. As vezes, trata-se simplesmente dum ato tolo ou de descuido. Um exemplo me vem a mente, um que, em realidade, é um tanto comum.
Certa mãe que morava num prédio dum conjunto municipal foi fazer compras e trancou seus dois filhos em idade pré-escolar no apartamento. Sem dúvida havia feito isso muitas vezes antes. Mas, desta vez, começou um incêndio; é provável que um dos garotos estivesse brincando com fósforos. Quando chegamos, apenas um pouco de fumaça estava saindo. Corremos pelas escadas acima para o apartamento, mas a porta trancada, aprova de fogo, provocou a demora em entrarmos.
Lá dentro, a fumaça era grossa. Não podíamos ver coisa alguma. Assim, era uma questão de lançar-se ao chão e arrastar-se, “ateando pelo caminho. Na maioria das vezes, o bombeiro encontra alguém por tropeçar nele ou por senti-lo. Encontramos os dois garotos, e rapidamente os tiramos de lá.
Um já estava morto, a fumaça o matando. O outro parecia ter alguma vida. Assim, imediatamente comecei a ressuscitação pelo processo de boca a boca. Então trouxemos o ressuscitador do carro. Fizemos isso até chegar a ambulância, mas este garoto também morreu.
Por volta dessa hora, a mãe voltou. Pode imaginar como ela se sentiu, em especial por saber que era parcialmente responsável, visto ter deixado os dois filhos sozinhos. Quando um bombeiro vê tais coisas, só pode desejar que as pessoas tivessem mais juízo. Não há simplesmente razão pela qual os incêndios deviam ceifar 12.000 vidas estadunidenses a cada ano.
Pensar Nisso de Antemão
Tenho proferido muitos discursos perante grupos estudantis e outros, sobre a proteção contra incêndios. Procuro colocar-me no mesmo nível que eles, dizendo de forma direta: “O motivo pelo qual estou aqui é para tentar salvá-los — para ajudá-los a saber o que fazer no caso dum incêndio. Um pouco de previsão, ter um plano a seguir, pode significar a diferença entre viver e morrer.”
Sempre que entro num prédio, automaticamente penso: “Como sairia daqui em caso dum incêndio?” Em especial se deve pensar nisso em relação com sua própria casa. Conhece todo modo de se sair de sua casa? O que dizer das saídas de outros prédios que usa. Numa emergência, as pessoas quase que invariavelmente tentam sair da mesma forma que entraram, resultando numa correria. No desastre no Teatro Iroquois em Chicago, há muitos anos atrás, das dez saídas disponíveis, apenas três foram usadas — 575 pessoas morreram!
A previsão é vital, pois o incêndio usualmente acontece à noite, quando as pessoas, sendo subitamente despertadas, talvez fiquem um tanto desorientadas. Se ficarem indecisas, não sabendo exatamente o que fazer, talvez entrem em pânico. Talvez fiquem imóveis, arrastando-se sob a cama, correndo para dentro do armário, ou fazendo alguma outra coisa tola. Isto acontece com freqüência, e custa muitas vidas. É interessante, contudo, que nas incursões de incêndios nas cidades, durante a Segunda Guerra Mundial, quase não havia sinal de pânico, pois todos sabiam o que fazer.
A fim de incentivar o planejamento, costumo perguntar aos grupos: “O que fariam hoje à noite se sofressem um incêndio, Como conseguiriam sair? Para onde iriam? Suponhamos que a porta de seu quarto de dormir estivesse fechada e se dirigisse a ela e sentisse que a maçaneta estava quente. Sairia por aquela porta?”
Isso seria a pior coisa a fazer. Abrir a porta adicionaria oxigênio ao incêndio e provavelmente faria que entrasse pelo quarto antes que pudesse fugir. Assim, jamais abra uma porta quente.
Também é geralmente perigoso sair para uma escadaria. Isto se dá porque o calor e as chamas sobem, e rapidamente subirão por uma escadaria. Compreender este fato teria salvo certo pai e filho que retirei dum incêndio há alguns anos atrás.
O incêndio se deu numa casa de três andares em que moravam várias famílias. Iniciou-se no primeiro andar. Quando a fumaça começou a encher seu apartamento, a mãe pegou um dos filhos e subiu para um lugar seguro através da janela do banheiro. Mas, o pai pegou seu filho e correu para fora da porta. Sendo que as chamas fecharam a entrada da frente, ele correu para cima, em direção ao telhado. Quando cheguei através do telhado, momentos depois, encontrei o senhor e seu filho perto do alto da escadaria, ambos mortos. O calor e a fumaça sobrepujaram-nos antes que pudessem chegar a um lugar seguro.
Exercícios Domésticos Contra Incêndios
Numa emergência, precisa-se saber o que fazer automaticamente, de outra forma um movimento errado, possivelmente fatal, é bem provável. Assim, tenho recomendado aos grupos estudantis que façam exercícios contra incêndio no lar. Têm exercícios contra incêndio na escola, assim, por que não realizá-los no lar, onde muito mais pessoas são feridas e perdem sua vida em incêndios?
Uma janela é, com freqüência, a melhor via de fuga, em especial se for desperto à noite. Mas, é preciso prática pois, num quarto cheio de fumaça, perdesse a visão, o senso de direção — tudo é feito pelo tato. Dificilmente poderá avaliar o que significa isso, a menos que o tenha experimentado. Usualmente, é melhor encontrar uma parede e segui-la até a janela. Costumo encorajar os estudantes: “Quando chegarem ao seu quarto hoje à noite, fechem os olhos ou coloquem uma venda e tentem encontrar o caminho até a janela. Daí, vejam se conseguem abri-la.”
É surpreendente quão difícil isto pode ser, em especial se houver janelas de guilhotina ou telas. Mas, saber como abri-las rápido pode salvar-lhe a vida. Também, costumo sugerir que consigam uma escada de corda, praticando com as crianças como usá-la e a mantendo onde possa ser rapidamente achada em caso de emergência.
Milhares de vítimas estariam vivas hoje se tivessem feito tais exercícios. Apenas recentemente, no Conjunto de Jamaica, um subúrbio da cidade de Nova Iorque, irrompeu um sinistro no primeiro andar, depois de a família ter ido dormir no segundo andar. O pai, um advogado, correu para o dormitório dos filhos para tentar salvá-los — como resultado, todos morreram. Se cada um tivesse saído pela sua própria janela, teriam continuado vivos. Mesmo do segundo andar se pode ficar pendurado da beirada dá janela e deixar-se cair. Possíveis ferimentos resultantes da queda são muito melhores do que a morte quase certa!
Também é vital que a família tenha um local de encontro comum do lado de fora, depois de escaparem da casa. Não raro, vamos a incêndios e vemos os pais clamarem: “Meu filho está lá dentro. Tirem-no de lá!” Com freqüência, o filho já saiu, mas entramos correndo à procura dele. Temos perdido homens por fazer isto. Na primavera setentrional passada, o Capitão dos Bombeiros, John Dunne pelejou através das chamas para atingir um apartamento no terceiro andar em Brooklyn. Foi-lhe dito que quatro crianças se achavam ali, quando, em realidade, haviam escapado antes. Dunne ficou enredado nas chamas e morreu.
Outra coisa que com freqüência destaco é não voltar para o edifício em chamas para apanhar alguns pertences. Isto tem custado muitas vidas. Lembro-me de um edifício comercial em que todos os trabalhadores saíram. Então, quando as chamas não pareciam tão ruins, correram para pegar algumas coisas, e foram mortos.
O que a maioria das pessoas em tais circunstâncias não entendem é o perigo da fumaça; é extremamente venenosa. O incêndio em si raramente as mata, a fumaça o faz. E seus efeitos são cumulativos, abreviando a duração da vida do bombeiro que ficar repetidas vezes exposto a ela.
Carga de Trabalho Fustigamento Desesperadores
Algumas coisas tornam especialmente desesperadora a incrementada carga de trabalho que o bombeiro da cidade grande tem de assumir. É inacreditável! Quando comecei na corporação há cerca de vinte anos atrás, eu servia numa das dez companhias mais ocupadas da cidade, o Posto 17, em Bronx do Sul. Tínhamos de fazer uns 1.800 atendimentos num ano. Agora, algumas companhias atendem a quase 10.000 alarmas num ano!
É verdade que muitos alarmas são falsos — cerca de um em cada três. Mas, jamais sabemos que um é falso até que o respondemos. Assim, isto não raro significa correr a todo o tempo, dificilmente se tendo tempo para se comer um pouco. Durante oito anos, eu estava lotado em Brownsville, Brooklyn, mas o trabalho ali estava ficando demasiado — realmente é apenas para um rapaz. Felizmente consegui ser transferido para uma área menos movimentada — o Posto 143 em Queens.
Brownsville tem agora uma taxa surpreendente de 10.000 alarmas por milha quadrada por ano! É um incêndio após outro, um dia após outro. Não raro, o homem tem de combater vários sinistros por dia. Acho que uma experiência do bombeiro Bob Daily mostra quão comuns os incêndios se tornaram ali.
Havia começado um incêndio num prédio de apartamentos, e Bob se dirigiu à porta vizinha para ver se o apartamento também fora atingido. A porta estava trancada e, presumindo que as pessoas haviam saído, derrubou a porta para entrar. Ali, no quarto fumacento, achava-se uma senhora idosa. Desculpou-se profusamente, perguntando por que ela não havia aberto a porta. “Oh”, disse ela, “temos tido tantos incêndios ultimamente que eu já não presto mais atenção a eles”.
Às vezes, praticamente a área inteira está em chamas, literalmente! Nunca me esquecerei de quando Martin Luther King foi morto. Na noite do seu enterro, as companhias de toda a cidade foram convocadas a Brownsville. Lembro-me de estar no alto de uma fábrica, derramando água num incêndio. Pude ver chamas deflagrarem por toda a área, em toda a parte em que olhava.
Mas, tal situação não é mais ímpar. Tem acontecido várias vezes desde então. Por exemplo, aconteceu na primavera passada, quando a cidade reduziu os pagamentos de pensionistas. Os jornais noticiaram que Brownsville sofreu mais de 120 incêndios naquele dia! Às vezes os avisos são colocados dizendo o dia em que certa área pegará fogo, e pega mesmo. Em resultado, Brownsville, Bronx do Sul e outras seções de Nova Iorque se assemelham a cidades bombardeadas e incendiadas da Europa depois da Segunda Guerra Mundial.
Já é bastante desesperador combater tantos incêndios, mas, agora, nós, os bombeiros, também temos de defender-nos dos incendiários. Em algumas áreas barragens de pedras e garrafas atacam os bombeiros que tentam apagar as chamas. No ano de 1970, houve mais de 800 incidentes em que os bombeiros municipais foram atacados, e 343 foram feridos.
Por que isto acontece? Bem, os desprivilegiados destas áreas sentem-se completamente frustrados. Seus prédios são velhos e caem aos pedaços e vêem poucas melhoras, apesar das promessas de renovação urbana. Assim, creio que destroem tudo em ira, queimando prédios vazios e condenados na esperança de conseguir uma ação mais rápida. E, visto que nós os impedimos de fazer isto, atacam-nos. Acho, também, que lutam contra nós porque nos identificam com as “Instituições” que odeiam.
Talvez alguns não gostem dos próprios bombeiros. Sei que uma queixa freqüente é que nós somos maldosos — que causamos danos desnecessários às casas. Mas a razão de as pessoas pensarem desta forma é porque não entendem realmente os perigos dum incêndio, como se pode espalhar, ou a maneira em que os prédios são construídos. Deixe-me explicar.
Apagar o Incêndio
Quando chegamos, digamos, a um prédio de apartamentos de seis ou sete andares em chamas, cada homem conhece sua designação e corre para cumpri-la. Compreende que as vidas de seus colegas talvez dependam de cumpri-la. Um homem sobe rapidamente ao telhado, abrindo a porta da escada de incêndio, removendo as clarabóias, fazendo tudo para ventilar o prédio, de modo que as fumaças tóxicas dos corredores e escadas internas possam escapar. Daí, desce por uma escada de incêndio, abrindo janelas para mais ventilação.
No ínterim, dois homens talvez se apoderem dum extintor de incêndio e corram para localizar o próprio fogo. Dentro de um quarto cheio de fumaça, suas vidas e as de quaisquer outros que talvez se achem ali estão em jogo. Assim, como pode avaliar, não há tempo para se abrir com delicadeza as janelas. Quando encontradas, são rebentadas com qualquer coisa que haja disponível; permitindo-se respirar o ar sustentador da vida. Não raro conseguimos retirar as crianças com vida, bem como outros que talvez tenham ficado enlaçados ou foram vencidos pela fumaça venenosa.
Este trabalho de ventilação também permite que os homens que seguem arrastem sua pesada mangueira de água; até o fogo. Se a fumaça não tiver nenhum lugar para escapar, quando empurrada pelo jato d’água, ficaria ainda mais comprimida numa dependência ou corredor. Daí, poderia voltar sobre as cabeças daqueles homens e começar um incêndio por trás deles. Daí, ficariam em séries dificuldades — tudo porque os homens encarregados da ventilação não abriram com suficiente rapidez o telhado e as janelas.
Todavia, alguns objetam que seu teto ou suas paredes sejam rebentados quando seu apartamento se acha a alguma distância do incêndio. Mas, há razão para isso, também. Os bombeiros conhecem a direção que o fogo pode tomar. Compreendem que pode percorrer longas distâncias sem ser visto. Há alguns anos, algumas centelhas de um aparelho de cortar provocou um incêndio numa metalúrgica. Os empregados extinguiram completamente o incêndio — segundo pensavam — usando a mangueira vertical da fábrica. Mas, cerca de trinta minutos depois, as chamas tendo percorrido as paredes ocas, irromperam do teto. Foi uma catástrofe.
Os bombeiros entendem de incêndio, e, assim, procuram nos quartos e apartamentos anexos os sinais dele. Retiro minhas luvas e sinto a parede; se estiver quente, talvez haja fogo ali. Assim, tem-se de fazer um buraco na parede para verificar isso. O fogo, especialmente, pode percorrer horizontalmente sem ser percebido. Se derrubamos um teto de um apartamento e houver o mínimo sinal de fogo, não nos sentimos seguros até que tenhamos derrubado o teto do apartamento seguinte para ter certeza de que não foi mais além. Assim, talvez se cause dano a um apartamento quando o incêndio nem sequer o atingiu. Mas, isso não é feito por maldade, como alguns quererem crer, mas, antes, visa proteger as pessoas.
As incompreensões, o fustigamento, a incrementada carga de trabalho, a freqüente inalação de fumaça, a procura de vítimas engodadas, o desespero nos olhos das vítimas que perderam tudo, ver morrerem os colegas bombeiros e outros — tudo isto é o desespero dum bombeiro duma grande cidade. Nosso trabalho é um trabalho árduo e arriscado. Todavia, usufruímos uma recompensa raramente igualada por qualquer outra ocupação. É a de poder ajudar as pessoas em dificuldades, estando presentes para fazer algo quando clamam por ajuda. Isto, para mim, ultrapassa todo o desânimo.
in Despertai de 8/6/1972 pp. 12-18
Provérbio da semana ( 19:28 )
A testemunha imprestável caçoa da justiça, e a própria boca dos iníquos engole o que é prejudicial.
sábado, 21 de maio de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
A escola e a música - a inovar!
Esta semana descobri um projecto delicioso de uma escola nos Açores.
Simplesmente fabuloso, são estas coisas que devemos apoiar!
Ouçam esta música e as outras através do utilizador stravinskyteixeira no You Tube.
Simplesmente fabuloso, são estas coisas que devemos apoiar!
Ouçam esta música e as outras através do utilizador stravinskyteixeira no You Tube.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Arranha-céus da estepe africana
O ANIMAL mais alto do mundo — esta é a distinção de que goza a girafa. Um destes arranha-céus da estepe africana talvez se eleve a cinco metros e oitenta. Ora, até mesmo uma girafa recém-nascida tem um metro e oitenta de altura! Sim, depois das árvores, estes arranha-céus da região aberta e seca da África são as coisas vivas mais altas da terra
O que a maioria das pessoas notam quando vêem pela primeira vez uma girafa é seu pescoço muito longo e suas pernas finas e compridas. O pescoço parece inteiramente fora de proporção diante do resto do animal, nas não é tanto o pescoço comprido que provoca esta aparência, como é a curtíssima espinha dorsal do animal.
O Pescoço Comprido
O pescoço, que pode ter de um metro e oitenta a dois metros e quarenta no animal adulto, tem o mesmo número de vértebras que os outros mamíferos, tais como o hipopótamo, isto é, sete. Naturalmente, estas sete vértebras do pescoço são de tamanho enorme, quando comparadas às dos outros animais. Todavia, o pescoço da girafa é de uma flexibilidade surpreendente.
Apenas olhando-se para a girafa, achar-se-ia que devia precisar dum poderoso coração para bombear o sangue por todo o caminho através daquele pescoço comprido até o cérebro. O coração é deveras grande, tendo de sessenta centímetros de comprimento, com paredes de sete e meio centímetros de grossura, e pesando até uns onze quilos e meio. As batidas do coração da girafa também são incomuns para tão grande animal, batendo de 150 a 170 vezes por minuto, em comparação com cerca de setenta e duas vezes por minuto para um humano adulto.
Algo que tem deixado as pessoas intrigadas por longo tempo é por que a girafa não estourava as veias sangüíneas da cabeça quando baixava subitamente a cabeça até o solo, e por que, quando subitamente elevava a cabeça de novo, não ficava tonta. A razão é que a girafa está bem equipada com válvulas nas artérias e nas veias. Ademais, a girafa tem uma rede esponjosa chamada de ‘rede maravilhosa’ que protege o cérebro de insultos forçados de sangue. Este maravilhoso “transformador de energia”, por assim dizer, interrompe o fluxo de sangue através da carótida, a principal artéria que leva ao cérebro. Dispersa-o em finas correntes que por fim atingem o cérebro sem pressão prejudicial. Deveras é algo maravilhosamente feito!
Devido a ter a girafa um pescoço tão comprido, pensar-se-ia que poderia atingir o solo com facilidade, mas isto não acontece. Os músculos e ligamentos do pescoço estão presos a longas espinhas na superfície dorsal das vértebra torácicas, o que torna difícil que a girafa atinja o solo sem espalhar as patas fronteiras ou curvar os joelhos. Isto é extremamente desajeitado e torna a girafa vulnerável a ataque. Assim, sempre que a girafa assume esta posição para beber água ou lamber sal, ela se ergue e se abaixa para certificar-se de que não haja perigo em redor.
Comedoras das Folhas do Alto das Arvores em Regiões Abertas
A surpreendente altura da girafa é ótima para a espécie de alimento que prefere. Como vê, estes arranha-céus da estepe africana gostam de mordiscar as folhas mais altas das espinhosas acácias, que atingem de quatro metros e meio a seis metros de altura. Dona Girafa está bem equipada para almoçar estas folhas deliciosas, pois sua língua de cerca de quarenta e seis centímetros de comprimento facilmente arranca galhinhos e folhas das árvores. Mas, o que dizer dos espinhos pontiagudos da acácia? Dona Girafa não parece se incomodar com eles, provavelmente porque seus lábios são bastante peludo, com áspera superfície interior.
Estes arranha-céus ruminantes da estepe africana são dos poucos animais selvagens que não entram em conflito com os criadores de gado bovino e ovino. As vacas e as ovelhas não podem alimentar-se das folhas dos altos das árvores!
Não importa quanto aprecie sua dieta folhosa, a floresta profunda não agrada nada à girafa. E, assim, ela pode ser encontrada na região aberta e seca, chamada “estepe” ou “veldt”. Sua preferência pela região aberta é compreensível quando se considera o grande peso da girafa e sua notável visão. “A girafa tem a visão mais aguçada de qualquer animal de caça na África”, afirma o zoólogo George G. Gloodwin, e seus olhos podem ver quase em todas as direções sem virar a cabeça. Assim, Dona Girafa pode ver o perigo se aproximar de grande distância e então se afastar de forma veloz. Tem-se notado que, quando leões, ao tentarem atacar uma girafa, compreendem que foram vistos, abandonam a tentativa. Quando os leões realmente conseguem matar uma girafa, é usualmente na região florestal, em que a visão do animal foi obscurecida.
Fatos Fascinantes
Muitos são os fatos fascinantes sobre estas altaneiras criaturas. Por exemplo, a girafa pode correr a mais de 51 quilômetros por hora em uma região aberta. Até mesmo se houver várias árvores pelo caminho, a girafa passará correndo por elas, evitando colidir com elas por balançar a cabeça e pescoço sob os ramos e entre as árvores. A rápida Dona Girafa não é sobrepujada com facilidade, até mesmo por um cavalo. Cobre terreno em longo galope, com grandes passadas, correndo com o que tem sido descrita como “maravilhosa graça de forma e ritmo de ação”.
É notável que as girafinhas vêem ao mundo com um estrondo! Pois, sofrem uma queda de mais de um metro e setenta de altura ao nascerem. As experiências nos zoológicos têm demonstrado que não sofrem efeitos prejudiciais disto e conseguem ficar de pé cinco minutos depois de nascerem e alimentar-se vinte minutos depois. Quando crescidas, um grande macho de girafa pesa de 1.360 a 1.800 quilos.
Dormir não é uma questão tão simples para as girafas. Por causa de sua altura, com freqüência preferem dormir em pé. Algumas girafas, contudo, se deitam para dormir.
Dona Girafa tem atraente expressão, com grandes olhos castanhos-sombreados por compridas pestanas negras. Em sua cabeça há dois chifres. São ímpares à girafa. São de osso maciço, de dureza parecida ao marfim da presa do elefante, e permanecem cobertos de pele por toda a vida da girafa. Há, pelo menos, sempre um par, e algumas espécies têm um terceiro chifre, entre os olhos, na frente do usual par da testa.
Outra característica incomum destas criaturas do tamanho das árvores é sua pressão sangüínea, a mais elevada do mundo, cerca de três vezes a do homem. Mas, essa é apenas uma das muitas coisas notáveis sobre as girafas.
in Despertai de 8/6/1972 pp. 10-12
Provérbio da semana ( 19:26 )
Aquele que maltrata o pai [e] que põe em fuga a mãe é filho que age de modo vergonhoso e ignominioso.
sexta-feira, 22 de abril de 2011
O ábaco — calculadora de contas do oriente
NA LOJA local, no Japão, uma senhora comprara vários itens. “Quanto é, por favor?” — pergunta ela. O lojista japonês apanha seu ábaco, e, com rápida inclinação e golpe de mão, ‘limpa-o’ dos cálculos anteriores. Daí, tão rápido quanto possa citar os preços individuais, soma-os. Ao citar o último preço, ele lê o total. A senhora paga a quantia sem mais perguntas. Para ela, a resposta tem tanto peso como a de uma caixa registradora.
Um viajante num banco de Tóquio resolve cambiar em ienes todo o seu dinheiro de bôlso. O funcionário apanha seu ábaco e, em menos tempo do que levaria para anotar os algarismos para multiplicá-los, fornece a resposta. Olhando em volta do banco bem-equipado, o ocidental talvez fique intrigado. Há muitas máquinas de calcular modernas e máquinas de escrever. No entanto, cêrca de três quartos dos empregados confiam no ábaco para fazer seus cálculos.
Sim, seja onde fôr no Japão ou na China, com certeza verá a versão oriental desta mais antiga das calculadoras, o ábaco, em uso constante. Ao ver o lojista usá-lo para adicionar alguns números, talvez tenda a desprezar seu verdadeiro valor. “Por que não fazê-lo mentalmente ao invés de confiar em sua calculadora de contas?” — talvez pense. Pelo menos foi assim que pensei quando fui à primeira vez ao Japão e vi quão dependentes pareciam ser as pessoas de sua calculadora de contas.
Não obstante, quando se vê que os funcionários e caixas de banco usam o ábaco para resolver problemas mais complexos, sem dúvida o respeitará mais. Se perguntar sobre ele, talvez se lhe diga que o operador não só calculou o problema naquele curto tempo, mas o verificou por inverter o cálculo a fim de obter os números originais. “Deveras surpreendente!” — pensará. Tudo isso com uma armação de madeira que contém algumas contas?
Dos Tempos Antigos à Atualidade
O ábaco é um dos mais antigos instrumentos de contar conhecidos pelo homem. Era usado, por exemplo, pelos antigos gregos e romanos. Visto que os numerais romanos não têm um sistema de valor-posição, nem o conceito de zero, alguma espécie de ajuda no eáleulo era essencial. Se tentar somar os numerais romanos XCVIII e LXXXIX, apreciará melhor o problema. O esforço de multiplicar estes dois números demonstrará ainda mais o problema. O desenvolvimento de numerais ‘arábicos’ com seu sistema de valor-posição reduziram a necessidade do ábaco no Ocidente.
No entanto, entre os chineses e japoneses, o ábaco encontrou um nôvo lar acolhedor: Mas até no Ocidente, há uma forma simples de ábaco em uso atualmente que muitos conhecem. Sim, o leitor talvez tenha começado a obter conhecimento dos números por meio dum instrumento semelhante ao ábaco. Trata-se dum pequeno jogo de barras horizontais com contas coloridas que se acha nos quadrados ou “chiqueirinhos” de brinquedos das crianças em todo o mundo.
O ábaco chinês é chamado snan-pan, ao passo que a versão japonêsa é conhecida como soroban. Os ábacos orientais dispõem de varas verticais divididas em dois, com as contas sobre a barra tendo o valor cinco vêzes superior aos das contas abaixo. Observe que na ilustração, o suan-pan chinês dispõe de duas contas acima da barra ou divisor e cinco abaixo. O moderno soroban japonês por outro lado, tem uma conta acima e quatro abaixo do divisor.
Uma diferença básica entre os ábacos japonês e chinês é o tamanho e a forma. A versão japonêsa usa contas menores e usualmente dispõe de mais varas. O ábaco chinês usa contas maiores e tem menos varas. O ábaco japonês, por conseguinte, é comprido e estreito, ao passo que o ábaco chinês não é tão comprido. A construção menor do instrumento japonês contribui para a manipulação mais rápida, ao passo que a construção mais larga do ábaco chinês torna menos provável o movimento acidental das contas e também facilita a leitura. No entanto, a tendência aqui em Formosa nos dias atuais é de mudar para o estilo japonês.
Aprender os Princípios Básicos
Decidi aprender os rudimentos de operação do ábaco. Comprei o ábaco japonês padrão, com seis centímetros de largura por trinta centímetros de comprimento. Sobre a barra divisória há um pontinho em certas varas. O operador seleciona uma delas como a vara unitária. A vara à esquerda é a vara das dezenas, a seguinte à esquerda é a das centenas e a terceira à esquerda é a vara dos milhares.
O valor das varas à direita diminui às dezenas, de modo que igualam os décimos, centésimos e milésimos, e assim por diante. É, assim, um sistema decimal.
Foi-me explicado que o ábaco é ‘limpado’ por uma inclinação rápida em direção à sua própria pessoa, de modo que as contas todas escorreguem para a base das varas, ou, no caso das contas superiores, para o divisor. Daí, as contas superiores são levadas para cima por rápido movimento junto à sua ponta inferior pelo dedo indicador.
Se agora erguer uma conta na vara unitária até que entre em contato com a barra ou divisor, lançou um no ábaco. Puxe outras duas destas contas e agora terá três das contas inferiores na posição superior, de modo que tem três lançado no ábaco.
Agora, abaixe a conta superior (que possui um valor cinco vêzes maior que as contas abaixo do divisor), e terá adicionado cinco. Isto significa que tem cinco acima do divisor e três abaixo da barra divisória, tendo um total de oito. Se desejar adicionar outros três, não disporá de suficientes contas restantes na vara das unidades, de modo que tem de passar para a vara das dezenas à esquerda. Não pensa em têrmos de 8 + 3 = 11, mas pensa em têrmos de 3 = 10 - 7. Remove sete por fazer deslizar o cinco para cima e duas das contas unitárias para baixo. Daí, adiciona dez, (isto é, move para cima uma conta da vara à esquerda da vara unitária) e o resultado será onze, como na ilustração. Naturalmente, há muitos modos de explicar como operam estas regras de movimentação, mas, na prática real, tornam-se automáticas.
Quando dispõe de números maiores, como procede? Simplesmente começa à esquerda, ou na coluna mais alta envolvida em seu cálculo, e trabalha da esquerda para a direita. Assim, se tiver 548 e desejar somar 637, primeiro colocará 548 na calculadora. Daí, adiciona 6 ao 5. Segue a regra ou padrão 6 = 10 - 4 por remover o 5 na vara das centenas e adicionar 1 na mesma vara (-5 + 1 = -4) daí, adicione uma das contas de milhares à vara à esquerda. Daí, passa a somar o três ao quatro, o sete ao oito, e seu ábaco aparecerá como na ilustração. Pode ler a resposta? É 1.185.
Devido a operar assim, da esquerda para a direita, pode começar seu cálculo assim que saiba o primeiro dígito. Na aritmética mental ou escrita, calcula a partir das unidades ou do lado direito do problema. O ábaco possui uma vantagem.
Pondo Meu Conhecimento a Funcionar
Aprendi a somar e a subtrair, e, mais tarde, quando necessitei de mais adição, decidi pôr meu conhecimento a funcionar. Os resultados foram desapontadores às vêzes e encorajadores em outras. Decidi descobrir por quê.
O estudo dum folheto sobre a técnica me mostrou que não dispunha de sistema algum e que não usava os dedos da maneira correta. Aprendi que, com ábaco japonês, deve-se usar apenas o indicador e o polegar, e deve-se seguir uma ordem especial em movimentar as contas se desejar exatidão e velocidade. Com o ábaco chinês, o uso de um dedo adicional é recomendado, devido à sua construção mais larga.
Com pequeno estudo e prática, minha exatidão melhorou, de modo que, um amigo do ultramar que recentemente me visitou ficou surprêso de ver a mim, um ocidental, usar minha pequena calculadora oriental não só para somar e subtrair, mas também para multiplicar e dividir. Naturalmente, não sou de modo nenhum um, operador perito e, assim, sou muito vagaroso segundo os padrões japoneses e chineses, mas certamente economiza muito trabalho para alguém que de outra forma teria que depender da escrita dos números em colunas e somá-los laboriosamente.
Vantagens, Desvantagens
Uma distinta vantagem do ábaco é que os custos de manutenção também se harmonizam com seu baixo custo inicial. Recentemente, meu ábaco estava ficando tão pegajoso que eu estava tendo dificuldades em operá-lo. Resignei-me em ter de comprar um novo. Ao ir comprar um, mencionei meu problema. “Está bem”, disse o proprietário. “Temos um estojo de manutenção.” Consistia em cerdas que saíam da tampa de um invólucro plástico parecido a um saleiro. O estojo continha giz francês. Os buracos entre as cerdas permitiam que um pouco de giz saísse quando se usava a escova para escovar as contas. Algumas escovadelas e meu ábaco ficou como que nôvo, com as pequenas contas tirintando de um lado para o outro em escorregadas fáceis. Um tanto diferente da manutenção de uma calculadora elétrica!
Há, naturalmente, várias desvantagens a enfrentar. Uma delas é a falta de registro dos passos envolvidos no cálculo. Somente a resposta se torna disponível quando se termina o cálculo. Também, para se obter certo grau de perícia, muita prática se acha envolvida. Por não ter tal prática e raramente fazer cálculos, não raro sinto dificuldade em multiplicar e dividir, quando há vários dígitos envolvidos no multiplicador ou divisor.
O ábaco Oriental tem muita coisa a seu favor mesmo nesta era eletrônica. Todas as crianças japonesas e chinesas aprendem a manejar um ábaco na escola primária. Há também numerosas escolas para preparar os estudantes a fim de fazerem exames regularmente feitos no Japão. Há três graus principais a ser alcançados, e, se a pessoa se habilitar como operador de primeiro grau, ele ou ela tem muito melhor oportunidade de conseguir um bom emprego de escritório. Isto é verdade, muito embora a firma talvez disponha das mais recentes calculadoras.
O treino mental fornecido pelo uso do ábaco é outro fator de sua popularidade. Tamanho é o treino mental que certo operador de ábaco, Sr. Yoshio Kojima, segundo registrado, forneceu respostas corretas a cinqüenta problemas de divisão, cada um contendo de um a sete dígitos em seu dividendo e divisor, no tempo de um minuto, 18,4 segundos. Daí, em 13,6 segundos, adicionou dez números de dez dígitos cada um. Tudo isto sem seu ábaco, sem papel ou qualquer outra ajuda! Diz-se que tais homens fazem isto por resolverem mentalmente problemas num ábaco imaginário!
Ao passo que o ábaco na China e no Japão está cedendo um pouco de terreno para as máquinas mais sofisticadas, ainda detém firme posição no mundo comercial do Oriente. Apesar de seu futuro, este instrumento comercial do Oriente e brinquedo educativo do Ocidente detém uma posição ímpar no progresso do homem com a matemática. Sou um ocidental que verdadeiramente aprecia a calculadora de contas do Oriente.
in Despertai de 22/5/1972 pp. 17-20
Provérbio da semana ( 19:25 )
Deves golpear ao zombador, para que o inexperiente se torne argucioso; e deve-se repreender ao entendido, para que discirna o conhecimento.
sábado, 16 de abril de 2011
A pedra de Roseta — chave dos hieróglifos egípcios
ERA o ano de 1799. A uns seis quilômetros e meio do pequeno povoado egípcio de Rashid, ou Roseta, uma unidade de soldados franceses trabalhava arduamente, fazendo alterações no Forte Julien. Lançados na defensiva pela vitória da armada inglesa sob Nelson, o exército francês debaixo de Napoleão se preparava para a última resistência.
Subitamente, um dos soldados deparou com uma pedra muitíssimo incomum. Era negra e possuía um som metálico quando se lhe batia com a picareta do trabalhador. Três cantos haviam sido quebrados. Olhando mais de perto, notou que estava coberta com uma escrita curiosa. Um oficial chamado Boussard reconheceu o valor da pedra. Inquestionavelmente, a escrita era muito antiga. O que é mais, havia tipos diferentes de escrita que constituíam a inscrição, um dos quais incluía caracteres gregos.
Quando Napoleão ouviu falar da pedra, ordenou que fossem feitas cópias da mesma, e, mais tarde, quando a pedra foi entregue como parte do despojo de guerra, foi levada para a Inglaterra. Por volta do fim de 1802, estava em exibição no Museu Britânico, onde ainda ocupa a posição mais destacada na Galeria de Escultura Egípcia.
A Pedra de Roseta é de importância para os lingüistas porque a sua inscrição se acha em duas línguas, egípcio e grego. No alto, os intrigantes caracteres hieróglifos são talhados na pedra, e em baixo disto, aparece a forma demótica, a forma mais popular e simplificada, a escrita do povo em geral. A última faixa contém a tradução grega.
Trabalho Primitivo Nesta Nova Chave
A escrita desconhecida sempre atraiu a curiosidade do homem. Mas, desvendar o mais difícil e secreto dos códigos não raro se prova simples pela comparação com alguns escritos antigos. No passado, os hieróglifos egípcios foram considerados erroneamente como simples adorno. De algum modo, pensava-se que os chineses estivessem envolvidos neles, e, na melhor das hipóteses, eram considerados como simbolismo puramente pictórico. Mas, na décima oitava centúria, foram feitas tentativas mais sérias para desvendar seus mistérios, e as idéias e teorias começaram a tomar forma.
A Pedra de Roseta foi rapidamente reconhecida como descoberta de valor imenso para os estudantes da história do Egito. A tradução da parte grega aparecera em francês e inglês por volta de 1802, e, armados disso, os estudiosos de diversos países começaram a estudar os textos egípcios. David Akerblad, orientalista sueco, identificou todos os nomes gregos na seção demótica e formou um alfabeto parcial de dezesseis letras. Seu erro, contudo, foi de pensar que a escrita demótica era exclusivamente alfabética.
Em 1814, um cientista inglês, Thomas Young, começou a fazer algum progresso com os hieróglifos. Começou a dividir a totalidade dos textos para corresponder ao grego. Notou algo que outros investigadores antes dele haviam comentado. Seis grupos de sinais estavam encerrados por um anel oblongo chamado cartucho, e isto os destacava de forma proeminente dos outros sinais. Suas posições correspondiam a um nome no texto grego, o do Rei Ptolomeu. Young tentou desvendar os sinais em letras e sílabas do nome dele.
Outro inglês, W. J. Banks, descobriu um obelisco na ilha de Philae, no Rio Nilo, e identificou o cartucho de Cleópatra. Continha três dos sinais encontrados no cartucho de Ptolomeu. Tendo outros textos hieróglifos para ajudá-lo, e um tanto de adivinhação judiciosa também, Young fez uma lista de mais de 200 palavras por volta de 1818, mas apenas um terço delas estava certo. Adicionalmente, contudo, foi o primeiro a compreender que muitos dos sinais tinham valor fonético ou silábico.
Nesse ponto, Young perdeu o interesse pelos seus estudos, e desapareceu de cena. O campo ficou aberto para o homem que deveria desvendar os segredos do antigo passado do Egito da maneira mais decisiva e final.
Champollion Intensifica a Pesquisa
Jean François Champollion não tinha ainda nove anos quando se encontrou a Pedra de Roseta. Em tenra idade, compreendeu que a antiga língua cóptica descendera da ainda mais antiga língua egípcia, e, assim, empenhou-se em dominar o copta. Que esta foi uma alpondra vital ficou demonstrado quando seu conhecimento do copta o levou a seu primeiro êxito com os hieróglifos.
À medida que vários sinais deixaram escapar seus significados por meio de intensivos e dolorosos esforços de Champollion, uma idéia simples, porém importante, lhe ocorreu, em 1821. Somou o número de sinais hieroglíficos da Pedra de Roseta, e descobriu que o total era 1.419. Mas, o texto grego continha apenas 486 palavras, assim, de modo patente, os hieróglifos não poderiam ser apenas ideografias ou símbolos, visto que havia três vezes mais deles.
Retornou ao nome Ptolomeu, já parcialmente decifrado por Young. Corretamente, leu-o agora como ‘Ptolomis’.
Com a descoberta do obelisco de Bankes, Champollion pôde também corrigir sua própria leitura sugerida do cartucho de Cleópatra. Tendo analisado estes dois nomes, letra por letra, Champollion estudou cada cartucho real ao seu alcance.
Ao ir soletrando um nome após outro, foi observado que sempre pareciam pertencer ao posterior período de declínio da história egípcia, em tempos ptolemaicos ou romanos; também, nenhum dos nomes era genuinamente egípcio, mas eram estrangeiros. Será que sua interpretação também abriria os segredos dos faraós mais antigos? Certo dia, apareceu um cartucho diferente. O primeiro sinal, ele sabia que era o do sol, que em copta é ‘Re’. No fim havia um ‘s’ duplo. Se o sinal do meio era um ‘m’, ora, o nome tinha de ser ‘R - m - s - s’, Ramsés! Os hieróglifos não haviam mudado radicalmente por centenas de anos.
Agora, por fim, Champollion estava certo de que encontrara a chave para desvendar os segredos da história egípcia, mas, a pesquisa excitada e incansável, levada a efeito não raro contra suas necessidades físicas, o deixara fraco e exausto. Por cerca de uma semana, ficou doente demais para anotar suas descobertas de modo apresentável. Quando sua evidência se tornou conhecida em 1822, suscitou muito ceticismo em certas áreas, e, até sua morte devido a um derrame, em 1832, não conseguiu aplacar a tempestade controversial suscitada pela sua decifração.
A Pedra Conta Sua História
Mas, agora, a porta estava aberta. Outros estudiosos reassumiram o trabalho onde Champollion parara. Em especial, Karl Richard Lepsius, um alemão, determinou obstinadamente elucidar cada pormenor, e, em 1837, forneceu um tratado cabal sobre o assunto. Outra inscrição encontrada em Tanis (no Baixo Egito) em 1866 era semelhante à Pedra Roseta. Tal estela continha um texto hieróglifo e um grego; um texto demótico se achava na margem. Veio a ser chamada de Decreto ou Tábua de Canopo. Lepsius leu os textos hieróglifo e grego na sua primeira tentativa.
Agora que a Pedra de Roseta podia ser lida por completo, junto com milhares de outras inscrições egípcias, que história tem a contar? Contém um decreto feito pelos sacerdotes do Egito no nono ano de Ptolomeu V Epifânio, que corresponde a 196 A. E. C. Devido aos atos benéficos do rei durante seu reinado, as honras tributadas a ele como “Salvador do Egito” seriam aumentadas. Sua estátua seria erguida em todo templo no Egito, e estatuetas de ouro seriam usadas em procissões. Seu aniversário de nascimento e de sua coroação seriam festas “para sempre” e todos os sacerdotes assumiriam um novo título, “Sacerdotes do beneficente deus Ptolomeu Epifânio, que aparece na terra”. Por fim, o decreto deveria ser esculpido em tábuas de basalto e eregido junto de sua estátua nos templos, e gravado na “escrita da linguagem do deus” — a linguagem hieroglífica.
Quase dois mil anos depois, ao ser desenterrada a Pedra de Roseta do quase esquecimento total, os templos do Egito jaziam em ruínas. A glória do Egito tornara-se uma lenda, seus reis e faraós tendo morrido há muito. Os deuses e as estátuas haviam caído de seus nichos, impotentes de ajudar seus sacerdotes na celebração das festas de Ptolomeu “para sempre”. Até mesmo a linguagem do deus fora perdida e esquecida, e a busca de indícios para desvendar de novo os segredos do passado iria provar se um desafio que exigia a engenhosidade de mais de uma geração de estudiosos.
in Despertai de 8/5/1972 pp. 24-27
Provérbio da semana ( 19:24 )
O preguiçoso encobriu a sua mão no tacho de banquete; não a pode nem trazer de volta à sua própria boca.
sábado, 9 de abril de 2011
As águas da terra — uma solução para a escassez de alimentos?
A AVOLUMANTE população da terra significa dezenas de milhares de novas bocas a alimentar a cada ano. Todavia, até mesmo agora, muitas pessoas morrem de fome, e outras estão famintas. Onde pode ser obtido o alimento para satisfazer a todos?
Crê-se comumente que as águas da terra sejam a fonte adequada. Certo escritor asseverou: “Não há necessidade de que ninguém passe fome na terra quando há uma reserva ampla, praticamente inexplorada e possivelmente ilimitada de alimento no mar.” Mas, será isso verdade? Dispõem os mares de suficiente reserva de alimentos?
Potencial Alimentar dos Mares
A quantidade de alimentos tirados das águas da terra aumenta dramaticamente. De menos de 19 milhões de toneladas métricas em 1950, a colheita anual aumentou para mais de 60 milhões de toneladas métricas. Isto talvez pareça uma grande quantidade. No entanto, calcula-se que equivale a pouco mais de 3 por cento do alimento humano total produzido. Pode o mar produzir muito mais?
Alguns, observando a amplitude do mar — cobre cerca de três quartos da terra — afirmam que pode. Mas, há um fato que alguns deixam de considerar. E este é que a maior parte do mar é virtualmente improdutiva de alimento, assim como a maior parte do solo.
O novo livro Environment — Resources, Pollution & Society (Ambiente — Recursos, Poluição e Sociedade), editado por W. W. Murdoch, observa: “O alto mar — calculadamente 90 por cento do oceano — é considerado um deserto biológico, contribuindo quase que nada para a atual pesca mundial e oferecendo pouco potencial para o futuro.” A maioria das criaturas marinhas vivem e são apanhadas nas relativamente rasas águas costeiras. Com efeito, os peixes se concentram em certas áreas próximas da costa. Por quê?
As áreas muito piscosas dispõem da correta combinação de vento, correntes e a inclinação da plataforma continental que traz das profundezas oceânicas a água carregada de nutrientes da vida marinha decomposta. Ao atingir os níveis do oceano em que a luz solar penetra, os nutrientes “ressurgentes” resultam da rápida proliferação das diminutas plantas e animais flutuantes de que se alimentam os peixes. Assim, a fonte acima-citada observa: “As áreas ressurgentes formam apenas cerca de 0,1 por cento do oceano, mas produzem a metade das reservas piscosas do mundo.”
De que significado é a concentração dos peixes em pequenas áreas do oceano e sua escassez nas demais partes? É como o biólogo William Ricker, especialista em pesca, avisou: O mar não é “um reservatório ilimitado de energia alimentar”. E o explorador submarino Jacques-Yves Costeau avisou, ao voltar de uma exploração mundial submarina, de que a vida nos oceanos diminuiu em 40 por cento desde 1950 devido à pesca em demasia e à poluição.
Assim, aparentemente, o homem não pode contar com os métodos convencionais de pesca a fim de aumentar grandemente as suas reservas alimentares. Com efeito, baseados em relatórios tais como o de Costeau, há perigo de que menos alimento se torne disponível nos mares, no futuro.
Outro Método
Todavia, alguns ainda acham que as águas da terra apresentam a solução para a escassez de alimentos. Observam que frotas pesqueiras singram os mares à procura de sua presa, assim como certa vez era comum os homens caçarem animais na terra. Mas, maior produtividade alimentar foi conseguida quando se transferiu a ênfase para a criação de animais terrestres, ao invés de caçá-los. Acha-se que similar transferência de ênfase poderia aumentar a produtividade do mar. O método de criar criaturas marinhas em cativeiro é chamado aqüicultura (cultura da água) ou maricultura (cultura do mar).
A aqüicultura recentemente captou a curiosidade pública. Mas, quais são suas perspectivas? Podem as criaturas que vivem na água ser criadas para servir de alimento, assim como o são o gado, porcos e outros animais terrestres? O que já tem sido feito neste campo? Será a aqüicultura a solução para se aliviar a escassez mundial de alimentos?
Prática Antiga, Todavia Produtiva
A aqüicultura é realmente uma prática antiga. Já por volta de 475 A. E. C., foi escrito na China, por Fan Li, um tratado sobre a criação de peixes. Outros povos, inclusive os antigos gregos e romanos, também praticavam tal arte.
Na China, a aqüicultura tem sido desenvolvida de modo que é importante fonte alimentar. Cerca de 1,5 milhões de toneladas métricas de carpas e peixes semelhantes são produzidos ali cada ano. Isso representa a maior parte da produção mundial, anual, da aqüicultura, de mais de 2 milhões de toneladas métricas.
O interior da China está pontilhado de tanques de água doce em que são criadas as carpas. A carpa foi reproduzida seletivamente a fim de produzir peixe de rápido crescimento e carnudo, com um mínimo de escamas. E os chineses tomam cuidado para impedir a sua reversão ao tipo selvagem. Que isto pode ocorrer rapidamente é demonstrado pelo que aconteceu quando a carpa foi introduzida nos EUA em 1877, e se permitiu que escapasse para os rios e lagos. Reverteu à variedade selvagem ossuda e escamosa que é com freqüência encontrada nas águas usadas para a pesca esportiva legal.
A aqüicultura também é praticada em ampla escala na Indonésia, nas Filipinas e em Formosa, e, bem extensivamente, na parte setentrional da Itália. Próximo das costas destes países, mantêm-se tanques de água salobre por centenas de hectares. Neles, os peixes-leite (um peixe tropical parecido a um grande arenque) e mugens são criados. Visto que a criação destes peixes em cativeiro se acha em estágio experimental, os filhotes têm de ser apanhados junto às margens e transferidos para tanques para amadurecer.
A produtividade nestes tanques torna proveitoso o esforço. Nas Filipinas, por exemplo, a colheita anual de peixes-leite é de cerca de 19 milhões de quilogramas, dando a média de uns 570 quilos por hectare. Na Indonésia, onde se desviam esgotos para os tanques, a produção anual às vezes excede 4.500 quilos por hectare. Tais peixes, contudo, precisam ser bem cozidos antes de serem comidos.
Cascudos, Trutas e Salmões
Nos EUA, avanços significativos foram obtidos em se criar peixes para alimento. Na última década, a aqüicultura de cascudos progrediu de apenas um punhado de aqüicultores que aprenderam a arte por errarem até acertarem até tornar-se uma indústria de vertiginoso crescimento. Por volta de 1970, havia uns 23.500 hectares de tanques, principalmente na área do delta do Mississipi. Tais tanques produziam cerca de 35 mil toneladas de cascudos! Isto representa uma colheita de quase 1.500 quilos por hectare, muito mais que os 340 a 570 quilos de carne de vaca por hectare produzidos no bom pasto.
A truta e o salmão também são importantes na aqüicultura, especialmente a truta arco-íris. No Vale do Rio das Cobras, em Idaho, EUA, vasto lago submarino torna possível rápido fluxo de água na temperatura correta (14,4° C) para os tanques de peixes, o que é ideal para a criação de trutas. E, por fornecer uma dieta especial às trutas arco-íris, obtém-se uma fantástica colheita anual de mais de 450.000 quilos de peixes por hectare! Colheitas similares por hectare têm sido conseguidas na Indonésia por se confinar a carpa em gaiolas de bambu numa corrente que corre rapidamente, e que é rica em dejeções.
Criar salmões envolve mais a técnica de “viveiros” que a de “cultura”. O salmão procria nos rios, emigra para o mar a fim de amadurecer e, levado pelo instinto, volta a seu lugar de nascimento anos depois para desovar. Pela seleção e alimentação especial, o salmão de rápido crescimento e robusto tem sido desenvolvido. Assim, ao invés de gastar os quatro anos usuais no oceano para amadurecer, alguns da nova variedade voltam a seu local de nascimento em apenas um ano. Visualiza-se que grandes cardumes artificiais de salmões serão produzidos, os quais poderão ser colhidos ao voltarem para sua casa, depois de um ano mais ou menos de pastagem no mar.
Cultivar Moluscos
A maioria dos moluscos, entre 4 a 5 milhões de toneladas métricas por ano, são tirados do mar pelos métodos convencionais de pesca. Mas, a cultura de ostras, camarões e outros moluscos também se torna comum, sendo que os japoneses lideram os progressos. Por exemplo, foram pioneiros no uso de culturas em suspensão para as ostras, práticas que agora se espalha para o resto do mundo.
Depois de sua incubação, as diminutas larvas de ostras nadam brevemente de um lado para outro em busca dum objeto duro adequado para se fixarem permanentemente nele a fim de se transformarem em forma adulta. No Japão, aperfeiçoou-se a prática de suspender fios de balsas de bambu em águas até com quinze metros de profundidade. Penduram-se nestes fios conchas de mexilhões espacejadas. As larvas de ostras, que se fixam às conchas de mexilhões aos bilhões são, depois de algumas semanas, reduzidas pelos cultivadores à densidade apropriada. À medida que as ostras crescem, adicionam-se flutuadores às balsas para evitar que afundem devido ao peso crescente.
Este método de suspensão possui várias vantagens. Protege as ostras dos predadores e de se depositarem no fundo do mar. E também permite que as ostras se alimentem do alimento suspenso na inteira coluna d’água. Usando este método, a colheita anual da Bacia de Hiroxima, no Japão, atinge até mais 56.500 quilos de carne de ostras por hectare!
Os crustáceos que se movem, tais como o camarão, são difíceis de cultivar. Por séculos, têm sido capturados camarões pequenos nas águas costeiras do Extremo Oriente e levados para tanques de água salobre para ali amadurecer até o tamanho de mercado. Não obstante, no Japão, a verdadeira maricultura de camarão é praticada com êxito em escala comercial. Ali, produzem-se camarões agora sob controle, desde os ovos até o mercado.
As fêmeas portadoras de ovos são apanhadas e mantidas em tanques de água do mar cuidadosamente controlados, onde liberam seus ovos. Antes de atingirem a madureza, os filhotes atravessam diversos estágios de larvas, durante os quais são mantidos em tanques interiores de água aquecida. Mais tarde, são transferidos para tanques ao ar livre, com arranjos para arejamento e circulação da água, a fim de amadurecerem para o mercado. Há agora várias fazendas de cultura de camarão no Japão, mas a maioria delas obtém o camarão quando ainda pequeno, visto que não possuem o equipamento técnico para criá-los desde o ovo.
A Verdadeira Maricultura Se Acha na Infância
Como se pode ver, a produção de alimentos pela aqüicultura provém principalmente de tanques de água doce e salobre. O verdadeiro cultivo do mar — a verdadeira maricultura — tem produzido pouca coisa. A maioria dos esforços de cultivar o mar têm sido experimentais, ou se acham apenas no estágio dos planos. Os ilhéus japoneses, que dependem do mar para obter 60 por cento de suas proteínas ingeridas, são especialmente ativos nesta pesquisa.
Represar áreas do mar para reter peixes não é, compreensivelmente, um projeto nada pequeno. No entanto, no Mar Interior de Seto, no Japão, tem sido feito — acham-se em operação fazendas do mar. Em uma fazenda, 72 hectares foram represados por cercas de fios ou redes em águas elevadas e seis hectares em águas rasas. Os olhetes, que crescem ao tamanho de mercado em questão de oito ou nove meses, são criados em alta densidade nestas fazendas fechadas.
Fechar uma área do mar é um verdadeiro desafio. Tem-se visualizado o fechamento de áreas por se lançar uma mangueira de plástico no leito do mar, pontilhada de pequenos buracos e ligada a um reservatório de ar. As bolhas de ar que subam serviriam qual cortina para manter afastada a indesejável vida marinha, e para prender os animais da fazenda.
Tem-se também observado que, no Oceano Pacífico, há atóis de coral em que anéis de recifes coralinos cercam lagoas rasas. Cientistas japoneses propuseram a criação de atum — peixe que pode alcançar centenas de quilos — em tais atóis selados.
Outra via de investigação tem sido a fertilização da água para sustentar os peixes. Em uma experiência, um cano de plástico de uns 9 centímetros foi estendido por cerca de um quilômetro e meio ao largo de Sta. Cruz, nas Ilhas Virgens. A água fria, rica em nutrientes, lançada nos tanques à beira-mar logo pululou de diminutas plantas, tornando-se ideal para a produção de peixes. Um cientista propôs uma draga marinha que trouxesse nutrientes das profundezas do mar e os distribuísse próximo da superfície. Daí, os peixes que talvez pululassem na área, devido ao “ressurgimento” artificial, poderiam ser colhidos.
Na Escócia, conseguiu-se êxito experimental na maricultura por se usar a descarga de água quente de uma usina de energia atômica. Por elevar a temperatura da água numa área fechada do mar, tanto a taxa de metabolismo como o apetite dos peixes — neste caso, solha e linguado — aumentaram, acelerando grandemente seu crescimento. No entanto, ao comentar esta experiência bem sucedida, a revista Sea Frontiers (Fronteiras do Mar) observou de forma interessante:
“‘Cultivar o mar’ é uma frase vista com freqüência, como se isto fosse uma extensão fácil do cultivo do solo. Com efeito, no tempo atual, os problemas são mais comuns do que os resultados, e a criação comercial de uma única espécie sequer representa tremendo esforço.” Assim, lembra-se-nos que a maricultura ainda se acha em sua infância.
Solução Para a Escassez de Alimentos?
No entanto, a necessidade de mais alimento é imediata, visto que muitos dentre a humanidade já estão passando fome. Pode o cultivo dos mares ser desenvolvido para suprir essa necessidade?
Os indícios são de que não pode. Conforme observou a revista BioScience: “É urgente afirmar, neste ponto, que a volta imediata da maricultura provavelmente contribua muito pouco para aliviar a fome dos povos subnutridos do mundo. É improvável que as exigências calóricas dos povos famintos do mundo possam jamais ser satisfeitas pelo mar. A contribuição para o alívio imediato da fome de proteínas será, no máximo, pequena.”
As melhores perspectivas para o cultivo da água parecem se achar no interior, onde, no presente, é muitíssimo produtivo. Isto se dá especialmente em vista da ameaça de que a poluição talvez arruíne o mar como fonte segura de alimento.
Sem dúvida, no futuro, muito mais será feito para se desenvolver a arte da aqüicultura, e muitas pessoas serão beneficiadas. Mas, não se pode depender dela para solucionar a crítica escassez de alimentos por parte do homem.
in Despertai de 8/5/1972 pp. 17-21
Provérbio da semana ( 19:22 )
A coisa desejável no homem terreno é a sua benevolência; e alguém de poucos meios é melhor do que um homem mentiroso.
sábado, 2 de abril de 2011
Raridades e Recordações ( 51 )
Uma música mais recente, mas interessante. "Only" you knows my secret...
Visita ao interior da terra
NENHUM escultor terrestre poderia talhar a beleza que se desvenda no interior da terra. Aqui há um assombroso país das maravilhas; um fenômeno de formações fantásticas — de coloridas estalactites e estalagmites, câmaras belíssimas e águas cristalinas.
As cavernas subterrâneas são encontradas em muitas partes do mundo. No Líbano, temos exemplo deveras notável de sua beleza — as deslumbrantes cavernas Jeita. Localizam-se nas Montanhas do Líbano, não muito distantes do Mediterrâneo azul.
A Caminho
Decidimos visitá-las recentemente. Partindo de Beirute, fomos de carro por cerca de trinta minutos junto ao Mediterrâneo até chegarmos ao Rio Cão, ou Nahr El Kalb, como os árabes o chamam. A nascente deste rio se encontra nas cavernas de Jeita.
Este lugar era a encruzilhada do mundo antigo. Aqui os Faraós marcharam contra os hititas. Os reis sírios percorreram este caminho para conquistar as cidades de Sídon e Tiro. E as legiões romanas sob o General Vespasiano percorreram este caminho para esmagar a revolta em Jerusalém. Todos desconheciam o domínio maravilhoso que jazia tão perto no interior da terra!
Descoberta e Exploração
As cavernas Jeita foram descobertas apenas há um pouco mais de cem anos atrás. Um estadunidense chamado Thomson, quando numa excursão de caça, procurou abrigo numa caverna montanhosa. Ouviu água borbulhante e, com curiosidade, mas cautelosamente, acompanhou o som. Para sua surpresa, deu às margens de um lago subterrâneo. Quedando-se a pensar até onde o levaria, deu um tiro nas trevas. A resposta retornou — um eco reverberante através dum emaranhado de cavernas. Assim Jeita foi descoberta, no ano de 1836.
Trinta e sete anos depois, em 1873, dois engenheiros da Companhia de Água de Beirute, Maxwell e Bliss, fizeram outras explorações, descobrindo a nascente do Rio Cão. Foram os primeiros a pôr os olhos nas coloridas formações de estalagmites e estalactites. Expedições adicionais foram feitas por outros, localizando mais maravilhas. Por fim, as partes mais distantes das cavernas foram atingidas — mais de seis quilômetros e meio!
Em certo lugar, a que apenas se aventurariam os mais ousados exploradores de cavernas, o teto da caverna atinge cerca de 60 metros! Esta caverna alegremente decorada foi aberta ao público em 1955. Em 1958, uma câmara superior foi descoberta a mais de 48 metros acima do rio. Esta, também, possui milhares de formações. Foi oficialmente aberta ao público em agosto de 1967.
Começando a Excursão
Ao chegarmos ao interior da caverna, notamos que o ar é muito mais frio do que lá fora. Aqui, em Jeita, as cavernas permanecem o ano todo sob a temperatura constante de 15° centígrados. Chegando a uma massa d’água, entramos num barco achatado, do tipo de gôndola. Com vívida expectativa, continuamos nossa jornada pelo interior da terra.
Nosso barqueiro fica em pé na proa, com longa vara à guisa de leme que usa aptamente para dirigir nosso barco pelas águas escuras. O canal é amplo, mas rapidamente se estreita. A enorme rocha à direita foi chamada “A Rolha” pelos primitivos exploradores, visto que bloqueara seus esforços de explorar mais as cavernas. Ao passarmos por ela, obtemos o primeiro relance das coloridas estalactites.
Estas lindas maravilhas acham-se penduradas do teto como enormes pingentes de gelo, dosséis, candelabros, e cortinas. E, no que é uma deslumbrante cascata de cores — castanhos, vermelhos e brancos! Também, por todos os lados, estalagmites numa variedade de tamanhos, formas e cores se apinham no solo da caverna. Algumas são com enormes pilares e árvores; uma se parece com a torre inclinada de Pisa. Outras se assemelham a garrafões empalhados, a medusas e até mesmo a figuras de humanos e de animais. Em certos lugares, as estalagmites sobem para encontrar-se com as estalactites penduradas, formando uma coluna sólida.
Formações Assombrosas
Surpreendentemente, o Grande Escultor usou instrumentos bem simples para cinzelar estas obras-primas de arte. Os ingredientes básicos são o calcário e a água. Com efeito, a palavra estalactite significa “gotejamento”.
A água penetra nas cavernas do terreno acima, levando partículas diminutas de carbonato de cálcio dissolvidas do calcário. A água fica pendurada do teto em gotas que se evaporam mui lentamente. O carbonato de cálcio que permanece forma um pequeno anel no teto e se cristaliza. O objeto cresce à medida que as gotas de água continuam a evaporar lentamente e deixam seus depósitos.
Às vezes, a água não se evapora por completo, mas cai, depositando o início de uma estalactite invertida ou estalagmite. Estas formações crescem numa taxa vagarosa. Olhamos com surpresa para uma imensa coluna. Que maravilha! Deve ter quinze metros de altura!
Jeita não é de forma alguma a maior caverna do mundo. A Caverna Gigantesca em Kentucky, EUA, dispõe de mais de 240 quilômetros de túneis inexplorados! No entanto, Jeita fornece o conforto de se admirar suas maravilhas à medida que se desliza silenciosamente pelas águas cristalinas.
As Galerias Superiores
Depois de nossa excursão por vinte minutos neste calmo lago subterrâneo, ainda temos à frente outros quarenta minutos nas assombrosas galerias superiores. Verificamos que estas não deixam de ser outra maravilha.
Aqui, também, as formações de estalactites e estalagmites crescem em todas as formas — algumas reluzindo como preciosas gemas em tons vermelhos e verdes. Outras parecem uma floresta de pinheiros. A mais bela de todas as formações de estalactites são as raras estalactites brancas chamadas calcita, formadas de puro carbonato de cálcio.
A maioria das formações, porém, se acham em combinações de cores. O ácido carbônico capta os minerais do solo, e estes fornecem as cores às formações. O ferro transforma as formações em amarelo, castanho alaranjado e vermelho. O manganês as torna pretas, ao passo que o cobre lhes dá uma tonalidade esverdeada ou azulada. É por isso que o nosso domínio no interior da terra é tão apreciável.
A calma e a quietude aqui nos movem a sussurrar. Apenas o som da água que goteja da estalactite que alimenta sua irmã, a estalagmite, quebra o silêncio. As galerias superiores dão à pessoa a impressão de enorme sala de concertos, e, deveras, são usadas para esse mesmo fim! Quão grandioso deve ser escutar música em tão inspirador ambiente!
in Despertai de 8/5/1972 pp.10-12
Provérbio da semana ( 19:20 )
Escuta o conselho e aceita a disciplina, para que te tornes sábio no teu futuro.
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OBRIGADO RUI COSTA!
AMOR MEU, DOR MINHA
DOR MINHA QUE BATES NO CORAÇÃO,
OLHOS TEUS QUE CRUZAM COM A PAIXÃO;
PARA ONDE FORES CONTIGO IREI,
ONDE ESTIVERES AÍ FICAREI;
NA ROTA DO AMOR BUSCAMOS SINTONIA,
SENDO O MAIS IMPORTANTE A COMPANHIA;
FELIZ AQUELE QUE TE AMA,
E QUE PODE ALIMENTAR A CHAMA;
FICAREI. FELIZ. SINTO O TEU ABRAÇO FORTE,
SINTO QUE O AMOR NÃO ALIMENTA A MORTE;
POR TUDO ISTO UM ADEUS NÃO PERMITO,
NO NOSSO CORAÇÃO O AMOR NÃO É MALDITO.
OLHOS TEUS QUE CRUZAM COM A PAIXÃO;
PARA ONDE FORES CONTIGO IREI,
ONDE ESTIVERES AÍ FICAREI;
NA ROTA DO AMOR BUSCAMOS SINTONIA,
SENDO O MAIS IMPORTANTE A COMPANHIA;
FELIZ AQUELE QUE TE AMA,
E QUE PODE ALIMENTAR A CHAMA;
FICAREI. FELIZ. SINTO O TEU ABRAÇO FORTE,
SINTO QUE O AMOR NÃO ALIMENTA A MORTE;
POR TUDO ISTO UM ADEUS NÃO PERMITO,
NO NOSSO CORAÇÃO O AMOR NÃO É MALDITO.