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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 312


Richard Owen foi quem criou o termo dinossauro.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 311


O Taj Mahal foi construído em um período de 22 anos, empregando cerca de 20 mil trabalhadores.

Siba, espantosa criatura marítima



TRÊS terra-novenses — Daniel, Teófilo, junto com Tom, de doze anos — pescavam em seu pequeno dóri quando notaram um objeto incomum flutuando ali perto. Por curiosidade, atingiram-no com um croque. Que choque tiveram! Subitamente, as águas borbulharam e surgiu a gigantesca siba, atacando-os com seus tentáculos malhadores, por fim envolvendo-os ao redor do barco e ameaçando virá-lo.
Rapidamente, o jovem Tom apoderou-se da machadinha que usavam para cortar isca e decepou um tentáculo do monstro. Para seu grande alívio, este então abandonou a luta e deslizou de novo para o oceano.
Mas, se não fosse o pedaço do tentáculo que jazia no fundo do barco, é duvidoso que outros pescadores na Baía de Conceição cressem no seu aterrorizante relato. A parte do tentáculo media cinco metros e oitenta centímetros de comprimento e mais de oito centímetros e meio de grossura.
Durante séculos, as pessoas ouviram falar de lendários monstros marinhos de todas as descrições. Pode bem ter ocorrido que alguns destes relatos de arrepiar os cabelos fossem ocasionados pela visão do que os cientistas agora reputam ser o maior cefalópode vivo, a siba. Imagine só ver uma criatura com cerca de dezoito metros de comprimento, tendo oito poderosos tentáculos e dois tentáculos mais longos, ligados a um corpo em forma de bala. Seus olhos são do tamanho de pratos. Seu bico como dum papagaio de sua boca é suficientemente forte para cortar fio grosso. É a maior criatura da terra desprovida de espinha dorsal.

Descoberta Moderna

Embora se possa encontrar moluscos cefalópodes em todo oceano, havendo mais de 300 espécies diferentes, a espécie siba vive em profundidades de 450 a 900 metros. Não é de admirar que raramente seja vista pelo homem! Embora antigos registros falem de marinheiros terem visto e até mesmo capturado estes gigantes marinhos, tais incidentes foram comumente desacreditados pelos cientistas até há um século atrás. O ceticismo foi causado até certo ponto por estórias fantasiosas.
Os cientistas puderam observar bem pela primeira vez a Arqui, a Siba, como poderíamos chamá-la, na década de 1870. Por algum motivo desconhecido, possivelmente devido às mudanças oceânicas, muitas vieram à superfície na costa do Canadá. Foram vistas e algumas foram capturadas. Daí, em novembro de 1873, apenas um mês depois de os três pescadores terra-novenses quase serem afogados por uma, uma siba foi capturada e examinada criteriosamente. Revelou ser um espécimen de nove metros e setenta.

Gigantescos Tentáculos com Ventosas Articuladas

Por causa de seus tentáculos compridos, como serpentes, muitos pensam que a siba é uma espécie de polvo. Mas, não é. Há muitas diferenças. O polvo possui corpo redondo, bolsudo, com oito tentáculos. Os maiores talvez cheguem a pesar quase trinta quilos e os tentáculos estendidos chegam a cerca de três metros.
Agora, visualize a siba. Tem dez vezes o tamanho do maior polvo. Seu corpo cilíndrico tem cerca de quatros metros e meio, não tendo apenas oito, mas dez dos mais terríveis tentáculos imagináveis. Oito destes tentáculos podem estender-se até a três metros e setenta. Além disso, possui dois tentáculos com pontas cheias de ventosas que podem estender-se por de doze a quinze metros!
Os tentáculos também dispõem de filas de discos de ventosas, erguidos em pedúnculos curtos e flexíveis que permitem que as ventosas se articulem em qualquer direção. E, dependendo da espécie, tais ventosas podem ter dentes pontiagudos ao redor das extremidades ou garras que podem ser recolhidas ou estendidas a bel prazer. Que ótimas são para apanhar e segurar uma refeição em potencial que tenha pele escorregadiça!

Corredor a Jato

Ao passo que o polvo se arrasta pelo fundo do oceano e vive em fendas, Arqui, a Siba, pode ser encontrada a nadar no alto mar. Usando duas nadadeiras ao longo dos lados de seu corpo, pode navegar num cruzeiro desapressado. Mas, quando deseja ir depressa a algum lugar, vai a jato! Em algumas espécies, o empuxo deste jato é suficiente para lançá-lo fora d’água e a trinta metros no ar. Como isto é possível?
O manto detém o segredo. O manto se compõe de pele grossa e músculos que não só protegem os órgãos vitais da siba, mas também lhe fornecem a propulsão a jato. Quando os músculos no manto se descontraem, a água entra por meio duma fenda paleal do pescoço e enche grandes cavidades internas. Daí, quando o manto se contrai, fecha-se a abertura e força-se a saída da água sob alta pressão por meio de uma passagem semelhante a um funil embaixo da cabeça. Por mudar a direção deste “injetor”, a siba pode conseguir instantâneo empuxo invertido, movendo-se para frente ou para trás sem se virar.
Se atemorizada, os nervos incomumente grandes da siba provocam espontânea geração de energia que a impulsiona à alta velocidade em questão de instantes. Estas fibras nervosas, que são cem vezes maiores que as do homem, são tão sensíveis que, quando a siba se vê ameaçada, um impulso nervoso parte simultaneamente para todas as partes do manto. Reagindo com tremenda força, os músculos se contraem, criando poderoso empuxo como o dum jato.

Outro Equipamento Incomum

A siba é, literalmente, o sangue azul do mundo marinho. Seu sangue tem coloração azulada por causa dum composto de cobre nele. Quando se vê desprovido de oxigênio, é impulsionado pelas guelras por dois corações, bombeando-o cada um a uma guelra. Daí, um coração sistêmico serve para bombear o sangue fresco pelos tecidos. Assim, a siba tem realmente três corações! Os órgãos desta viva máquina a jato fornece maravilhoso testemunho da obra-prima do Criador.
Arqui e seu cônjuge se acham, cada um, equipados com uma bolsa de tinta. Esta libera grandes quantidades de fluido negro para camuflagem, lançando uma mancha colorida aproximadamente do tamanho da siba para confundir os perseguidores. Uma submarina “cortina de fumaça”!
Ajudando também a siba a confundir os atacantes, há pequenas células cromatóforas que lhe fornecem a habilidade de mudar de cor. Tais células são tão eficientes que podem imitar de perto a cor do fundo, até mesmo fazendo com que uma onda colorida flua pelo corpo da siba à medida que nada de um ambiente para outro.
Gigantescos, deveras, são os olhos deste surpreendente monstro marinho. Talvez cheguem a atingir trinta e oito centímetros de diâmetro, o que é maior do que algumas bolas de praia. Os olhos da Sra. Siba são surpreendentemente similares ao olhos humano. Ambos possuem pálpebras, córneas transparentes, camarás anterior e posterior, retinas, cristalinos, células em forma de bastonetes que permitem as imagens preto e branco e células em forma de cone que registram as impressões de cores. A semelhança estrutural é tão notável que o Dr. N. J. Berrill, famoso biólogo, comentou: “Penso que, se pedisse a qualquer zoólogo que selecionasse a característica mais surpreendente em todo o reino animal, as probabilidades seriam, diria ele, não o olho humano, que sob qualquer aspecto é um órgão surpreendente, quase inacreditável, nem o olho da siba, mas o fato de que estes dois olhos, o do homem e o da siba, serem semelhantes em quase todo pormenor.” Os 100.000 receptores por milímetro quadrado no olho da siba fazem com que seja possível ver até os mínimos detalhes.

Questões de Tamanho

Muitos ficam pensando em quão grandes estas sibas realmente se tornam. A maior já examinada foi encontrada na Baía de Lyall, Nova Zelândia, e media dezessete metros e quarenta de comprimento. Mas, apenas doze espécies diferentes de sibas foram classificadas, e é possível que existam outras maiores. Com efeito, algumas evidências sugerem isto.
Por exemplo, os cachalotes vivem quase que exclusivamente de moluscos, desde as espécies menores até às maiores. Muitos destes enormes cachalotes, pesando cinqüenta toneladas, apresentam profundos talhos de seus encontros com a siba. Não raro, sua pele está pontilhada de cicatrizes circulares que medem de seis a dez centímetros de diâmetro. Foram aparentemente infligidas pelas ventosas dos tentáculos da siba durante horrendas lutas submarinas, visto que tais Cicatrizes são aproximadamente do tamanho dos discos de ventosas duma siba de quinze metros.
Mas, se o tamanho da ventosa for proporcional ao tamanho da siba, então os oceanos talvez contenham alguns gigantes verdadeiramente espantosos. Por que? Porque algumas destas cicatrizes medem quarenta e cinco centímetros de diâmetro! Em comparação, uma siba com ventosas de quarenta e cinco centímetros teria cerca de sessenta metros. A existência de tais gigantescas sibas jamais foi confirmada, e é verdade que tais grandes cicatrizes poderiam ter resultado de as ventosas esticarem a pele elástica do cachalote. Não obstante, um escritor de viagens do século dezenove afirmava ter visto um tentáculo de siba que era tão grosso quanto o corpo dum homem e que tinha ventosas do tamanho dum pires.
Sem dúvida, com o tempo, muito mais será conhecido sobre a siba e os mistérios que cercam esta dinâmica e espantosa criatura marítima.

in Despertai de 8/4/1971, pp.5-11

Provérbio da semana (16:13)

Os lábios de justiça são um prazer para o grandioso rei; e ele ama a quem fala coisas retas.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Receita: Bacalhau com Cerveja


Obrigado, Tiago Pereira ( Punk )!

Ingredientes:
- Bacalhau,
- Espinafre,
- Azeite,
- Alho,
- Cebola,
- Batatas,
- Sal,
- Mulher,
- Cerveja.

Modo de preparo:
- Ponha a mulher na cozinha com os ingredientes e feche a porta.
- Tome cerveja durante duas horas e depois peça para ser servido.É uma delícia e praticamente não dá trabalho nenhum.

( peço desculpa às senhoras, mas não resisti... Não levem a mal, por favor! )

A busca da fortuna


O saber não ocupa lugar - 310


Um raio pode aquecer o ar em volta a até 30.000 °C, por alguns milissegundos.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 309


O volume de urina eliminado durante o dia é o dobro do produzido durante a noite, nos humanos saudáveis.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Bananas são saborosas e saudáveis


NEM todo alimento saboroso é saudável, tampouco todo alimento saudável é saboroso. Com destaque, na lista das coisas saudáveis, bem como saborosas, porém, temos de colocar a banana bem madura. Quando Disraeli, primeiro-ministro da Grã-Bretanha, em viagem ao Cairo, no Egito, em 1831, provou pela primeira vez uma banana, exclamou: “A coisa mais deliciosa do mundo!” Ainda que seja talvez uma questão de opinião, sem dúvida a maioria das pessoas concordarão que as bananas são deliciosas.
A banana não cresce em árvores, pois a bananeira não tem tronco nem galhos. Falando-se estritamente, é planta herbácea, cujo caule principal se compõe de bainhas de folhas. Atinge a altura de três a sete e meio metros e leva de doze a quinze meses para produzir seu fruto. Tendo-se produzido um cacho de bananas, a planta é cortada, porque a bananeira jamais dá mais de um só cacho — o que é bem mais característico da planta herbácea do que da árvore.
Os valores da banana são realmente diversos. Muito deliciosa por si só, poderá ser usada para se fazerem apetitosos milk shakes, banana splits, torta de creme de banana, e em saladas de frutas. Usa-se cada vez mais o pó de banana, que pode ser facilmente digerido pelas poucas pessoas que não toleram as bananas cruas bem maduras.
Entre as muitas vantagens das bananas se acha sua disponibilidade o ano todo. Não requerem preparo e já vêm seladas pela natureza, o que as mantém praticamente livres de bactérias e de sujeira. (Não se precisa preocupar com inseticidas nem se foi lavada antes de comê-la!) Quando está bem madura — tendo manchas marrons — a banana é facilmente digerida, pelo menos pela maioria das pessoas, e produz bastante energia.
As bananas contêm menos umidade do que quase toda outra fruta fresca — cerca de 75 por cento. Também contêm mais açúcar do que a maioria das frutas frescas — uns 20 por cento. Por isso, podem substituir os alimentos mais substanciais e não servem apenas como sobremesa. Quem quer emagrecer ou precisa ter cuidado com o peso, bem poderia experimentar comer umas bananas e tomar um copo de leite, ao invés de uma refeição completa. Seria especialmente bom se tais pessoas substituíssem sobremesas ou merendas entre as refeições ou à noite por bananas.
As bananas têm alta dose de vitaminas A, B e C. Realmente, segundo certas autoridades, contêm tanta vitamina C que, no caso de criancinhas, as bananas poderão ser muitas vezes a fonte principal desta vitamina. Quanto aos minerais, as bananas contêm notável quantidade de cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo e enxofre. As bananas têm também o poder de ajudar a regenerar a hemoglobina nos glóbulos vermelhos do sangue.
Em virtude de sua dose baixa de proteína, se recomendam bananas para quem sofre de doenças dos rins. Nas bananas bem maduras, o amido se transforma em frutose, e, por isso, são recomendadas para os diabéticos que não podem tolerar o açúcar de cana ou de beterraba (sacarose). Acharam-se úteis as bananas em muitos casos de úlceras pépticas. Estranho como pareça, as bananas servem de alimento para os obesos, bem como para os magros demais, auxiliando na correção de ambas as condições, assim como são de ajuda em curar tanto a diarréia como a prisão de ventre. Não há dúvida de que, quando o Criador fez a banana, ele deu ao homem uma dádiva esplêndida, tanto nutritiva como apetitosa.
Por milhares de anos, têm-se saboreado as bananas em certas partes da terra. Mas, nos tempos mais modernos, foram negligenciadas, pelo menos nos países ocidentais, de modo que a World Book Encyclopedia alista a banana entre as “Frutas Desconhecidas Pelos Nossos Ancestrais”. Lá em 1912, o Journal of the American Medical Association continha um editorial intitulado: “A Subestimada Banana.” Atualmente, contudo, a banana torna-se cada vez mais valorizada, porque é uma fruta tanto saborosa como saudável.


in Despertai de 22/3/1971 pp. 27-28

Provérbio da semana (16:12)

Fazer o que é iníquo é algo detestável para os reis, porque é pela justiça que se estabelece firmemente o trono.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 308


Escorpiões da espécie Tityus serrulatus reproduzem-se sem a presença dos machos (inexistentes), por um processo denominado partenogênese.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 306


A teobromina alcaloide, presente nos chocolates à base de cacau, é tóxico para os cães na dose de 100 a 150 mg/kg do animal.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Passeio pelas montanhas Rif de Marrocos


A COSTA setentrional do Marrocos, de Tanger ao oeste até à estância balneária de Saïdia-du-Kiss, ao leste, dá para o antigo Grande Mar, o Mediterrâneo. A paisagem aqui neste país da África do norte é realmente bela e variada — de desertos até platôs elevados e de vales verdejantes até altaneiros montes cobertos de neve.
Logo ao sul da costa mediterrânea, a uma distância que varia até trinta quilômetros, estende-se a estrada de Alhuecemas a Tetuão. Esta estrada descreve um grande arco abrangendo uns 270 quilômetros, ainda que estas duas cidades distem apenas cerca de 190 quilômetros uma da outra. A diferença se deve às centenas de curvas que têm de ser feitas ao se passar com dificuldade por esta região montanhesca.
Ao longo do caminho há picos que se situam entre os mais altos no Marrocos. Nos seus flancos se encontram bosques de cedros. Em toda parte destas montanhas há abundância de riquezas minerais. Três de nós, na última vez que fizemos este passeio de um dia, encontramos alguma neve na pista da estrada, mas não tivemos dificuldade alguma em dirigir nosso pequeno carro pelas colinas e nas curvas. Gostaria de nos acompanhar esta vez? Prometo-lhe muitas coisas interessantes para ver.


Vistas Interessantes


Por exemplo, é interessante notar este olival que se estende à direita e à esquerda. Produz muitas toneladas de fruto delicioso e azeite saudável. Com pouca ajuda humana, se houver, estas árvores continuam a dar fruto, um ano sim outro não, para nosso proveito. Há também aqueles vinhedos que pode ver ao longo do nosso caminho serpenteante. Certo vinho deste distrito leva o nome da tribo que uma vez se estabeleceu aqui — Beni Snassen. E as folhas destas videiras são usadas em muitos países para fazer uma iguaria. Servem para enrolar uma mistura de arroz e carne de cordeiro.
Olhe agora à direita. Esta cordilheira nos leva suficiente alto para olharmos rapidamente o Mediterrâneo e uma das melhores praias de Marrocos. Esta praia estende-se por muitos quilômetros para o oeste. E poderá ver de relance Saïdia-du-Kiss lá embaixo.
Está vendo os canais de irrigação que passam debaixo do nosso caminho neste ponto? Os nativos chamam-nos de séguia. É provável que a maior parte dessa água evaporou do Mediterrâneo, em primeiro lugar, daí se condensou em forma de chuva nas montanhas. Antes de retornar ao Grande Mar, traz vida e crescimento às áreas áridas, fazendo que floresçam e produzam.
Ao voltarmo-nos para o norte neste ponto, em direção a Alhuecemas, encontraremos bom número de curvas ao longo desta estrada que desce e ascende bruscamente, como estrada de ferro em zigue-zague. Logo, contudo, vai querer segurar-se a cada segundo, pois vai aumentando-se o número das curvas. Contamos 1.025 curvas entre Targuist e Chaouen, e trata-se apenas de cerca de uma quarta parte da viagem.
Na última vez, paramos nesta curva para bater uma chapa daquela casinha de adobe. As janelas cercadas de uma larga faixa de azul nos atraíram. Supõe-se que aquela faixa larga proteja os ocupantes dos espíritos maus. Também procuramos fotografar umas moças com belos vestidos brilhantemente coloridos e véus, mas não queriam posar. Não é que não gostam de ser fotografadas. Simplesmente não gostam de ser fotografadas por estranhos. Assim que o conhecerem, a família toda terá prazer em posar e daí o convidará a provar seu delicioso chá de hortelã e biscoitos. A barreira da língua é facilmente superada. Temos saboreado muitas xícaras ao nos comunicar com gestos e sorrisos.


As Montanhas Rif


Do cume da próxima curva ‘vertical’, podemos relancear Alhuecemas sentado por cima das rochas olhando para o mar. Aqui dobramos para o oeste, daí para o sudoeste, para descrever o grande arco que se estende praticamente a Tanger. Neste ponto, nossa estrada se abre muito no cume, seguindo muitos quilômetros no alto antes de descer ao nível do mar em Tetuão. A pessoa imagina que esteja andando pela coluna dorsal dum super dinossauro que recebera o “golpe de misericórdia” e caíra, torcido na sua última agonia, com a cabeça voltada para o Atlântico e a cauda para o Mediterrâneo.
Note como estamos ganhando altitude agora. Isso significa que ficará mais fresco. O sol está quente, mas na sombra dos longos declives fica bem fresco. Vê os traços de neve lá no Monte Tidiguin? Aquele pico fica a 2.452 metros acima do mar. Em Ketama, logo à frente, passamos por um bosque de cedros. A neve ainda cobre muito desta área, as árvores ficando eretas quais gigantescos homens de neve. Esquiar é a grande atração nestas localidades.
Agora, ao serpentearmos para os níveis mais baixos, tendo visto uns quarenta e seis centímetros de neve em alguns lugares, parece estranho ver árvores frutíferas em flor e jovens pastores deitados no chão, bem confortáveis em suas capas ou djellabas. Quão descontraidor é olhar estes rebanhos ao pastarem pacificamente!
Mas, olhe lá naquela colina! Pode ver aqueles objetos movendo-se lentamente ao longo do cume? Parecem árvores, mas na realidade são homens que carregam pesados feixes de gravetos nos ombros.
Lá ao sopé do Monte Tisuka está a cidadezinha de Chaouen. Se estiver tão cansado e faminto como eu, deve estar disposto a parar, esticar-se um pouco e procurar algo para comer no souk ou mercado. Esta parte da cidade é a ‘cidade nova’, ao passo que a parte antiga, a medina, está lá em cima na encosta. Ao subirmos a pé, note as estreitas passagens de pedras arredondadas, as paredes caiadas mas com um tom azul claro, e pontilhadas com arcos a cada poucos passos. Cuidado! Deve haver uma mula chegando ao redor da curva, pois pode ouvir o cavaleiro gritar “Balek, balek” (“Passe para o lado, passe para o lado”). Seus alforjes ou chouari estarão cheios e não seria agradável ser golpeado por um deles.
Mas, já fica tarde. Temos de estar a caminho. E, ao descermos as montanhas, parece que o caminho se cansa de serpentear. Ao terminar a luz do dia, há pouco que resta para se ver, exceto a forma escura duma mula, ou uma árvore frutífera branca com flores salta da escuridão, parece virar-se e acenar ao passarmos, daí desvanece na noite. Logo à frente está o fim da jornada.

in Despertai de g71 22/3/1971 pp. 25-27

Provérbio da semana (16:10)

Deve haver decisão inspirada sobre os lábios do rei; no julgamento, sua boca não se deve mostrar infiel.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 303


Foi estimado que o superdotado William James Sidis pudesse falar mais de 40 línguas e aprender uma língua nova em uma semana, na idade adulta.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 301


O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos ( Marines ) é mais antigo que a própria fundação dos Estados Unidos da América.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O saber não ocupa lugar - 300


A ovelha Dolly recebeu este nome em homenagem aos seios fartos da cantora norte-americana Dolly Parton.

Escavar para viver


ESCAVAR é trabalho árduo! Quem já cavoucou a terra com enxada ou pá pode testificar a labuta envolvida. Então, imagine escavar para viver, quer dizer, escavar porque sua própria vida depende disso. Mais ainda, pense numa vida inteira gasta num buraco no chão, e em volta deste. Uma perspectiva um tanto triste, pensaria. Mas, isto se dá porque o leitor vive na superfície, sem a inclinação natural de viver no subterrâneo.
Sendo assim, o que é que se pode dizer sobre ter uma moradia debaixo do chão? Quão prática é tal habitação? Quanto tempo levaria para escavá-la? Que sorte de experiências poderia alguém esperar ter, ao viver debaixo da superfície? Como seria criar uma família, comer e dormir no interior da terra?
Certos peritos na matéria forneceram as respostas a estas perguntas e a muitas outras relacionadas, pela experiência real de viver no subterrâneo. É possível que até haja alguns destes peritos andando aí por perto da sua casa. Quais os nomes deles? Eis alguns: Primeiro, conheça a Sra. Toupeira. É, talvez, o maior escavador vivo! Daí, há o rato-canguru, a marmota, o texugo, o criceto, o geômis, a raposa, o cinômis e, naturalmente, aquele perito que leva o nome oficial de “Oryctolagus Cuniculus”, mas a quem nós todos conhecemos por Sr. Coelho. Considere o modo de viver de alguns destes escavadores.


Feitos sob Medida


Não pode haver a mínima dúvida de que a Sra. Toupeira foi projetada e construída de modo especial para levar a vida de escavador. O aspecto dela é um tanto esquisito. O focinho longo e pontudo, os olhos minúsculos, as orelhas pequeninas e a pele aveludada que se pode alisar em todos os sentidos, tudo a equipa para ser o que é — um dos melhores escavadores vivos. No lugar em que estariam geralmente os ombros, a toupeira tem largas patas dianteiras, semelhantes às do urso, munidas de unhas afiadas de grande vigor. Estas lhe servem de escavadeiras.
As toupeiras de toda a sua espécie podem escavar à razão de três e meio a quatro e meio metros por hora, muito embora estes pequenos mineiros não pesem mais que uma xícara e pires, ou seja, cerca de oitenta e cinco gramas. Surpreendidos acima da terra, não fogem. Ao invés, simplesmente começam a escavar e desaparecem quase instantaneamente. Uma escavadeira a diesel, de tamanho médio, teria de escavar de contínuo até desaparecer da vista à razão de cerca de 800 metros por noite a fim de igualar esta escavadora extraordinária.
Mas, como é que a Sra. Toupeira escava? Emprega o mesmo método estranho para escavar seus dois tipos de túneis — um de quinze centímetros de diâmetro que corre paralelo à superfície, a poucos centímetros debaixo do solo, e o outro, seus alojamentos, a cerca de 60 centímetros mais para baixo. Parece que usa seu focinho para encontrar lugares próprios para escavar, daí joga a terra para o lado com poderosas patas dianteiras. Torcendo o corpo para os lados e se impelindo para cima com as patas, consegue progredir por se comprimir alternadamente contra os lados e o teto, apertando as paredes de sua galeria.
A toupeira consegue evitar romper à superfície da terra ao escavar às cegas, hora após hora, porque possui um nível de bolha de ar embutido que funciona à base dos fluidos que lhe enchem o ouvido interno. Os humanos têm o mesmo sistema “do ouvido interno”, pelo qual se mantém o equilíbrio físico. Para ilustrar isso, só temos de considerar a pessoa que, não tendo andado de bicicleta por muitos anos, acha que ainda pode andar com facilidade, mesmo sem uso das mãos, se aprendeu na infância a manter o equilíbrio por meio duma ligeiríssima inclinação do corpo.
Por todo o continente norte-americano, estes túneis de toupeira são muito comuns. Às pessoas na superfície parecem montículos de terra em movimento. Na realidade, alguém poderá ver este sulco movimentar-se para frente ao passo que a toupeira se torce e retorce através do subsolo em busca de alimento. Sim, é em busca de suprimentos — minhocas, lagartas e assim por diante — que ela trabalha tão arduamente. Escava realmente para viver.
Tal labuta estrênua, naturalmente, deve criar um apetite enorme. Ela come o equivalente a de um a dois terços de seu próprio peso, todos os dias. Um homem que pesa 75 quilos teria de comer de 25 a 50 quilos de comida por dia a fim de igualar isso! E mesmo a aproximação da morte não parece diminuir seu apetite. Sabe-se de toupeiras, mortalmente feridas, que comeram minhocas colocadas ao seu alcance, e com tanta avidez quanto um homem esfomeado comeria espaguete. E tal comparação é bem apta, pois a toupeira começa com uma extremidade da minhoca suculenta e ao mesmo tempo vai endireitando os emaranhados da minhoca e lançando fora a terra solta com as patas traseiras.
Ao escavar por debaixo da superfície, a Sra. Toupeira empurra a terra solta para trás dela, e daí, de vez em quando, abre um buraco até à superfície e se livra da terra solta. Daí fecha o buraco e prossegue com a escavação. Considerando-se seu tamanho, talvez de dezoito ou vinte centímetros ao todo, a toupeira é trabalhadora diligente, e sua perícia em cavar túneis, embora primariamente para satisfazer seu próprio apetite, serve ao homem de forma muito prática. As ramificações dos túneis subterrâneos servem quer para escoar a água excedente das regiões baixas quer para levar às regiões secas a umidade tão necessária. Além disto, o enorme apetite da toupeira acaba com uma multidão de insetos que de outra sorte talvez disputariam com o homem as suas safras em cultivo.


Construtores de Montículos


Outro escavador de peso leve é o rato-canguru. Este nome lhe fica bem porque parece mesmo com um canguru em miniatura. Contudo, não se engane; não é canguru nem rato, e não está munido com a bolsa conveniente do canguru. É mais aparentado ao “ratinho de bolsa”.
E como é que o rato-canguru resolve o problema de habitação? Sua casa subterrânea se parece, vista da superfície, a um grande montículo, muitas vezes de quase cinco metros de diâmetro e dez centímetros de altura. Costuma haver de três a doze buracos do tamanho dum punho, perfurando-o. Estes são as entradas e saídas duma casa subterrânea que levou, possivelmente, várias gerações de ratos-cangurus nara construir. De modo que esta criaturinha, durante sua vida curtíssima de cerca de dois anos, escava não só para ela mesma viver, mas para a sua posteridade.
Se puder imaginar-se reduzido ao tamanho liliputiano destes pequenos escavadores — de cinco a oito centímetros de altura — tente imaginar-se comparecendo a uma “recepção”. Ao primeiro passo para dentro, fica inteiramente mergulhado em espessa escuridão. Munido de farolete, talvez note que o corredor é muito mais comprido do que o costumeiro. Há probabilidade de que este lugar fresco esteja cheio de galerias sem saída. Ao prosseguir ao longo do corredor, notará que, aqui e acolá, se amplia para formar um quarto. Um desses quartos, semelhante à despensa embutida, é uma cavidade na parede, do tamanho de um dedal, em que se armazena a comida.
Indo adiante pelo núcleo central, sem dúvida encontrará diversos quartos esféricos de cerca de vinte e cinco centímetros de largura. Todavia, um compartimento que talvez espere encontrar em qualquer residência bem organizada, não encontrará aqui. Não existem banheiros. Estes animalzinhos deixam seu excremento em qualquer lugar por todos os aposentos, sim, até nas despensas e nos corredores, sem nenhuma vergonha. Não obstante, o rato-canguru mantém limpíssimo seu próprio corpo.
É bem provável que a inclinação do rato-canguru para deixar indiscriminadamente seu excremento em toda parte contribua para um dos seus maiores problemas — hóspedes não convidados. De vez em quando é possível que um sapo se enfie na casa, ou mesmo uma muçurana, uma cascavel, uma centopéia, ocasionalmente uma cobra, um escorpião, uma viúva-negra, grilos, baratas ou formigas — atraídos pelos excrementos denunciadores. Que preço pago por falta de arrumação da casa!
Na sua excursão pelo conjunto residencial, pode acontecer que encontre um ou mais destes intrusos. Mas, agora, no fim sem saída do sistema de túneis, chegou ao dormitório, todo acolchoado de uma parede à outra. É 100 por cento projetado para uma soneca. O colchão é feito de capim, radículas e cascas de sementes. E o Sr. Rato-Canguru não dorme em cima do colchão como a gente. Introduz-se cuidadosamente nele e se agasalha num ninho quente de uns dez centímetros de diâmetro.
Lembre-se, também, de que ele é operário noturno. De modo que a hora de recolher nesta moradia múltipla vai desde o levantar até ao pôr do sol. Ao pôr do sol, esta criatura feito gnomo salta para a vida! E esta declaração não é exagero. Entenderia melhor se uma vez visse o rato-canguru caçar outro astro saltador profissional — o gafanhoto. O gafanhoto foge pulando, fazendo uma curva saltitante e aterrissa forçado, mais ou menos ao mesmo tempo em que o pequeno rato-canguru parte à caça, dando um pulo que impulsiona seu diminuto corpo em direção da vítima, sendo dirigido em vôo pelo rabo comprido. Mas, enquanto está em pleno ar, o gafanhoto escapa saltando de novo. Por fim, o rato-canguru alcança sua vítima, decapita o gafanhoto ali mesmo e armazena as partes restantes nas bolsinhas das bochechas para as guardar mais tarde em casa. Durante toda a noite prossegue o negócio importante de juntar alimento. Mas, a velocidade dele e a hora avançada logo cansam o espectador, de modo que deixamos o Sr. Rato-Canguru levar a sua vida noturna.


Um Escavador Que Gosta de Estar em Cima do Solo


E, então, conheça a Sra. Marmota. Eis um camarada que na língua inglesa tem diversos pseudônimos: woodchuck, groundhog (porco da terra) e os índios da América do Norte o chamavam “Monax”, que quer dizer “escavador”. Escava suas tocas por motivo bem diferente do da toupeira. A toca fornece lugar seguro para a hibernação, para dormir cada noite, para refúgio dos inimigos, e para criar os filhotes. Mas, a não ser para isso, a Sra. Marmota gosta do ar livre, onde pode mordiscar a vegetação verde e mandriar num lugarzinho sombreado ou aquecer-se no sol, conforme preferir.
Todavia, a marmota é escavadora perita. Prove sua toca de um dormitório e de vários outros compartimentos. Prefere que sua toca tenha pelo menos três aberturas; a entrada principal, marcada, em geral, por um monte de terra escavada; uma saída nos fundos que é difícil de se ver e que ela usa como “espreitador”; e um terceiro buraco que desce vários metros, conduzindo a canais embaixo. Em face de ataque no seu próprio castelo, se o pior acontecer, ela desaparecerá embaixo pelo terceiro buraco e escapará dos seus perseguidores no labirinto de passagens.
Depois do longo sono hibernal, os machos acordam primeiro e, sem considerar as condições meteorológicas, vão procurar uma fêmea para o ano vigente. O Sr. Marmota aproxima-se de cada toca com hesitação e o espectador pode saber facilmente quando há presente uma fêmea, pois o Sr. Marmota abana seu rabo alegremente e vai entrando. Não raro, porém, ele sai muito mais depressa! As fêmeas fazem discriminação, aceitando um pretendente e rejeitando outro. Ainda assim, volta para dentro da toca com determinação, até que seja definitivamente rejeitado ou aceito. Uma vez aceito, os dois vivem juntos durante aquele ano; no ano seguinte, começa de novo a busca.
Os filhotes nascem em princípios da primavera. Papai não é bem-vindo no viveiro, nem se permite que entre nele. A Sra. Marmota se arranja muito bem sozinha, amamentando os filhotes ao crescerem na escuridão até sua estréia no mundo brilhante lá fora. Pode imaginar o dia em que as novas marmotas vivazes saem das trevas subterrâneas pela primeira vez num sombreado pomar de macieiras ou numa verdejante campina silenciosa, salpicada com coloridas flores da primavera?
As marmotinhas relutam em deixar o leite morno, mesmo quando seus dentes afiados incomodam a mãe. Em geral, ela as repele rispidamente com bruscas palmadas ou empurrões. Mas, como as mães em todo o mundo, algumas têm o talento de treinar. Notou-se que certa mãe resolvia o problema de desmamar da maneira bem simples. Apenas afastava-se uns seis ou nove metros da toca para comer, uma distância além do alcance dos filhotes, que, então, se achavam obrigados a comer as folhas verdes perto deles.
Raras vezes, porém, a marmota vagueia muito longe da toca. Geralmente confina suas atividades a um quadrado de uns 150 metros, e amiúde a uma área muito menor. A toca lhe significa segurança, portanto fica perto dela. Dessemelhante do rato-canguru, a marmota inclui na sua toca um quarto para excremento, e o limpa de vez em quando. Sua velocidade de escavar é assombrosa. Pode esconder-se fora da vista num minuto; pode terminar tocas simples em um só dia.
Para a Sra. Marmota, os filhotes em crescimento apresentam um problema — o de espaço para viver. Começam a vida no viveiro principal, mas, ao engordarem, o espaço se torna inadequado. Por volta desse tempo, porém, a mãe já escavou mais fundo a toca — um “quarto” para cada filhote, na realidade. E a genitora visita cada filhote na sua toca separada várias vezes por dia. Ela escava não só para ela mesma viver, mas também para que sua família viva.
Portanto, estes habitantes do subterrâneo, a toupeira, o rato-canguru e a marmota, cada um da sua maneira característica, escavam para a preservação da sua própria espécie. Dotados pelo Criador do equipamento físico e das maravilhosas habilidades instintivas, provam realmente que são peritos em escavar para viver.


in Despertai de 22/3/1971 pp. 21-25

Provérbio da semana (16:8)

Melhor é um pouco com justiça do que uma abundância de produtos sem justiça.

OBRIGADO RUI COSTA!

AMOR MEU, DOR MINHA

DOR MINHA QUE BATES NO CORAÇÃO,
OLHOS TEUS QUE CRUZAM COM A PAIXÃO;

PARA ONDE FORES CONTIGO IREI,
ONDE ESTIVERES AÍ FICAREI;

NA ROTA DO AMOR BUSCAMOS SINTONIA,
SENDO O MAIS IMPORTANTE A COMPANHIA;

FELIZ AQUELE QUE TE AMA,
E QUE PODE ALIMENTAR A CHAMA;

FICAREI. FELIZ. SINTO O TEU ABRAÇO FORTE,
SINTO QUE O AMOR NÃO ALIMENTA A MORTE;

POR TUDO ISTO UM ADEUS NÃO PERMITO,
NO NOSSO CORAÇÃO O AMOR NÃO É MALDITO.