National Geographic POD

Brandus dream list

Mensagens populares

sexta-feira, 4 de junho de 2010

O baço — órgão admirável


OS CONSTRUTORES de estruturas tais como as pontes reconhecem a necessidade de tomar providências para uma margem de segurança. Deve-se tornar a estrutura o suficiente forte não só para suportar as cargas máximas esperadas, mas para se ter uma margem extra de segurança para tensões inesperadas que talvez tenha de agüentar. Contudo, os construtores de pontes não foram os primeiros a pensar numa margem de segurança. Deus, o Criador, dotou nosso corpo com fatores de margem de segurança.
Em muitos respeitos pode-se dizer que o baço é um órgão de margem de segurança. Até à idade de dois anos, a criança bem que poderia sucumbir a uma infeção se se removesse o baço. Mas, depois disso, se se remover o baço por cirurgia, outras partes do corpo, pelo que parece, assumem suas funções.
Há uns 1800 anos, Galeno, médico de destaque daqueles tempos, disse que “o baço é um órgão cheio de mistério”. Conta-se a estória de que Rudolf Virchow, renomado patologista do século dezenove, certa vez perguntou a um estudante de medicina em sua aula sobre qual é a função do baço. O estudante gaguejou e disse que sabia sua função mas que a esquecera. “Que pena!”, exclamou Virchow. “Finalmente temos aqui alguém que sabia porque temos um baço e justo agora ele se esqueceu disso!” E ainda há muita coisa sobre o baço que não está claro, conforme se pode ver, por exemplo, pela diferença da opinião médica quanto a exatamente como o sangue no baço passa das artérias para as veias.

Suas Características

Bem que se poderia dizer que não existe nenhum outro órgão no corpo exatamente igual ao baço. O órgão em si mesmo é insensível à dor, sendo como o cérebro nesse respeito. Parece ser uma glândula, contudo não pertence nem às glândulas exócrinas, pois não tem nenhum conduto, nem às endócrinas, pois não produz nenhum hormônio. Realiza contrações rítmicas de duas a cinco vezes por minuto.
Onde se localiza o nosso baço? Na parte superior do abdômen, pouco abaixo do diafragma que faz separação entre os órgãos do tórax e os do abdômen. Pode-se dizer que se assemelha a uma pequena mão curva. Nos adultos, tem cerca de treze centímetros de comprimento, cerca de sete centímetros de largura e de dois e meio a quase quatro centímetros de grossura; em média pesa cerca de duzentos gramas. Tem cor purpúrea ou vermelho-escura e possui um revestimento exterior elástico e resistente ou ‘cápsula’. O baço é muito adaptável, podendo alterar seu tamanho para se ajustar à sua carga de trabalho, às circunstâncias e até mesmo à temperatura.
Pode-se ver, até certo ponto, exatamente quanta coisa o baço realiza por meio desta descrição bem apta dele: “É uma combinação de oficina de fabricação, filtro, eliminador de resíduos e usina de recuperação, e reservatório.”

Oficina de Fabricação

Para começar, o baço é uma oficina de fabricação. Mesmo antes do terceiro mês de desenvolvimento de um feto, o baço começa a trabalhar, produzindo glóbulos brancos e vermelhos do sangue. No entanto, depois do nascimento, o baço de um bebê se limita à produção de glóbulos brancos chamados linfócitos. Mas, que produtor maravilhoso é! Diz-se que o sangue é sessenta vezes mais rico em glóbulos brancos quando deixa o baço do que quando entra nele.
Como oficina de fabricação, o baço também produz anticorpos, partículas minúsculas no sangue que servem para criar a imunidade do corpo. E o baço produz uma substância que ajuda o corpo a combater os efeitos da radiação. Valiosos deveras são os produtos ‘fabricados’ nesta ‘oficina’.

Filtro

O baço é também um filtro. Participa com o fígado em filtrar os produtos residuais, no sangue, tais como organismos nocivos, glóbulos vermelhos e plaquetas gastos. Possui uma grande artéria que aparenta estar completamente fora de proporção ao seu tamanho. Mas, que isto é muito necessário é evidente de que o inteiro suprimento de sangue do corpo, uns cinco a seis litros, passa através do baço a cada noventa minutos.
Esta filtragem é realizada em grande parte pelas células que forram seus canais sangüíneos. A habilidade delas em realizar isto deixa perplexos os cientistas. Dizem-nos eles: “Ainda não sabemos qual é a habilidade inerente nestas células que as torna tão sensíveis — é quase como um observador humano, um inspetor de fábrica que examina o produto em busca de defeitos.”

Eliminador de Resíduos e Usina de Recuperação

Uma vez tenha filtrado do sangue todos estes elementos inúteis, nocivos ou pelo menos imperfeitos, há o problema de se livrar deles, bem como recuperar o que pode ser recuperado. O baço também realiza tais tarefas por meio de certas células suas. Os glóbulos vermelhos do sangue têm uma vida média de 127 dias. Para manter o corpo devidamente suprido, a medula óssea vermelha precisa produzir 2,5 milhões destas células à cada segundo de cada hora, tanto do dia como da noite. Segue-se que para evitar que a corrente sangüínea fique obstruída, um número igual, uns 2,5 milhões de células gastas, precisam ser eliminadas a cada segundo. Bem que se tem notado que o baço (junto com o fígado) nos fornece “excelente exemplo de equilíbrio dinâmico”. Por esta razão, tem-se chamado também o baço de “cemitério dos glóbulos vermelhos”. As células que destroem os glóbulos vermelhos velhos e gestos do sangue, e que no baço são estacionárias, chamam-se macrófagos, significando “grandes devoradoras”. As células que atacam os organismos nocivos chamam-se fagócitos, significando “devoradores de células”. Perto do fim de um ataque de doença infecciosa, observa-se que estas células estão cheias de organismos que causaram a doença.
Ao se eliminarem os glóbulos vermelhos gastos, recupera-se o ferro. Quando as células que destroem os glóbulos gastos ficam cheias de ferro, viajam para a medula óssea vermelha e depositam seu ferro recuperado ali para que seja usado vez após vez. Verdade é que o baço não desperdiça nem uma única coisa. Afirma-se que suas células são mais eficientes do que as do fígado, mas o fígado realiza mais deste trabalho porque possui muitas mais destas células.

Reservatório

O baço é também um reservatório. Por pequeno que seja quando saudável, o baço pode expandir-se para reter até um litro de sangue. Quando nos empenhamos em exercício estrênuo, nosso baço se contrai para suprir os músculos com sangue extra. Semelhantemente, quando há súbita perda de sangue, como quando há uma hemorragia ou um ferimento, o baço de imediato compensa a perda até onde pode por espremer de si praticamente todo o seu próprio sangue, lançando-o na circulação. Similarmente, quando alguém acostumado a viver em baixa altitude viaja para uma altitude elevada, o baço de imediato enviará suprimentos extras de corpúsculos vermelhos para a corrente sangüínea; sendo que mais se torna necessário devido à escassez de oxigênio no ar. Mas, depois de um tempo a medula vermelha e o coração se ajustam para cuidar desta carga incrementada.
Em tempos passados, amiúde se associava o baço com as emoções, como quando se fala de uma pessoa irada dar vazão ao seu mau humor sobre alguém. Parece que esse ponto é bem apropriado, pois quando um homem ou animal fica tomado de medo ou de forte ira, o baço se contrai imediatamente, enviando sangue adicional à circulação de medo a fortalecer o corpo para a emergência. Assim, certas experiências mostraram que o baço de um cachorro acostumado a caçar gatos se contrai e esvazia seu conteúdo na corrente sangüínea do cachorro ao cheirar ele um espanador que esteve em contato com gatos ou ao ouvir o miado de um gato.

Quando as Coisas Vão Mal

Um cirurgião removeu o baço de um paciente que sofria de anemia hemolítica, com resultados aparentemente benéficos. Esta operação resultou num grande aumento na investigação do baço. Também parecia tornar-se temporariamente moda a remoção de baços. Hoje, porém, há muito menos remoções de baços. Mesmo porque se descobriu que em tais casos a culpa cabe à produção de glóbulos vermelhos deficientes por parte do corpo.
No entanto, em certas enfermidades, os médicos talvez recomendem a remoção do baço, em especial quando cresce grandemente. Há um caso registrado em que o baço aumentou de cento e setenta gramas para nove quilos, um aumento de cinqüenta vezes mais! Era como se a mulher estivesse carregando um grande bebe em seu abdômen ! Mas, isto é raro. De fato, os tumores afetam tão raramente o baço que tem sido descrito como anticanceroso.
Atualmente, a maioria das operações para a remoção do baço se devem a graves acidentes, tais como os causados por colisões de automóveis ou infortúnios no esquiar. Se a cápsula do baço se romper, o sangue se derramará no abdômen, e talvez seja necessária uma operação para evitar que o paciente sangre até morrer. Ou talvez sofra lesões dentro da cápsula, fazendo com que se encha de sangue até que a cápsula se rompa, com a possibilidade de similares resultados fatais. Por outro lado, num traumatismo, quando o sangue parece desaparecer da circulação sem que haja aparentemente nenhum motivo e o paciente se torna pálido como um cadáver e perde os sentidos, descobriu-se que o baço fica distendido devido a tanto sangue.
Deveras o baço serve para fins valiosos. Embora o corpo se possa ajustar à sua remoção, presta serviços inestimáveis. É realmente ‘uma oficina de fabricação, um filtro, um eliminador de resíduos e uma usina de recuperação, e um reservatório’.

in Despertai de 8/9/1971 pp. 16-18

1 comentário:

Anónimo disse...

O baço é o maior exemplo de equilíbrio e doação!

OBRIGADO RUI COSTA!

AMOR MEU, DOR MINHA

DOR MINHA QUE BATES NO CORAÇÃO,
OLHOS TEUS QUE CRUZAM COM A PAIXÃO;

PARA ONDE FORES CONTIGO IREI,
ONDE ESTIVERES AÍ FICAREI;

NA ROTA DO AMOR BUSCAMOS SINTONIA,
SENDO O MAIS IMPORTANTE A COMPANHIA;

FELIZ AQUELE QUE TE AMA,
E QUE PODE ALIMENTAR A CHAMA;

FICAREI. FELIZ. SINTO O TEU ABRAÇO FORTE,
SINTO QUE O AMOR NÃO ALIMENTA A MORTE;

POR TUDO ISTO UM ADEUS NÃO PERMITO,
NO NOSSO CORAÇÃO O AMOR NÃO É MALDITO.